Manganês de Corumbá fica entre minerais de prioridade alta do governo
Manganês presente nas jazidas da região de Corumbá entrou na Classe I, de prioridade alta, da lista de 27 minerais críticos e estratégicos aprovada pelo governo federal nesta quinta-feira (5). O ferro, outro recurso explorado no município, foi incluído na Classe III, de prioridade baixa.
A classificação foi aprovada pelo Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos (CIMCE) e vai orientar a prioridade de acesso aos instrumentos de financiamento e incentivos da Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. A inclusão na lista é um dos requisitos para receber apoio governamental, mas não garante repasse automático de recursos.
Relatório da Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), elaborado com dados da Agência Nacional de Mineração (ANM), mostra o peso da atividade mineral na economia de Corumbá. O município arrecadou R$ 28,16 milhões em Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM) em 2025, o maior valor entre as cidades sul-mato-grossenses e equivalente a 56,81% do total estadual.
O levantamento também identifica grandes depósitos de manganês e ferro na região de Corumbá. No recorte estadual por substância, o manganês respondeu por 5,5% da CFEM arrecadada em 2025. Ferro e minério de ferro representaram, juntos, 66,81% do total. Esses percentuais são referentes a Mato Grosso do Sul e não devem ser atribuídos exclusivamente ao município.
Para definir as prioridades, o conselho considerou risco geopolítico, concentração geográfica da produção, possibilidade de substituição dos minerais, posição brasileira nas cadeias produtivas e dependência de fornecedores estrangeiros. A divisão reúne três classes, com níveis diferentes de prioridade para a atuação do poder público.
Na Classe I, além do manganês, estão terras raras, grafita, lítio, níquel, cobalto, cobre, silício e urânio. São nove minerais classificados na faixa de prioridade alta.
Entre os oito minerais de prioridade média, na Classe II, aparecem tungstênio, cromo, vanádio, tântalo, titânio, fosfato, potássio e enxofre.
Já a Classe III reúne dez substâncias consideradas de prioridade baixa. Além do ferro, estão nesse grupo nióbio, estanho, zinco, ouro, magnésio, molibdênio, tório, alumínio e o grupo da platina.
Urânio e tório aparecem em classes diferentes, mas terão tratamento específico por estarem relacionados ao setor nuclear e ao monopólio da União, conforme explicação apresentada durante a reunião do conselho.
Apoio federal depende de cadastro dos projetos
Pela política nacional, somente empreendimentos ligados aos 27 minerais da lista e inscritos no Cadastro Nacional de Projetos poderão receber apoio governamental. A prioridade atribuída a cada substância será considerada na distribuição dos instrumentos de fomento.
Entre os mecanismos previstos está o Fundo Garantidor da Atividade Mineral, que poderá receber até R$ 2 bilhões em recursos da União, além de aportes de estados, municípios e empresas privadas. O fundo foi criado para dividir riscos das operações e facilitar o acesso ao crédito bancário, inclusive nas etapas iniciais de pesquisa e mineração.
Já o Programa Federal de Beneficiamento e Transformação de Minerais Críticos e Estratégicos terá limite fiscal de R$ 1 bilhão por ano entre 2030 e 2034. A iniciativa prevê apoio a projetos de beneficiamento, transformação mineral e mineração urbana, com o objetivo de ampliar as etapas industriais realizadas no Brasil.
Empresas contempladas deverão investir em pesquisa, desenvolvimento e inovação, cumprir contrapartidas socioambientais e utilizar produtos e mão de obra locais. A Agência Nacional de Mineração continuará responsável pelas atividades de regulação, fiscalização e concessão de direitos minerários.
Em até 15 dias, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços deverá apresentar ao conselho uma proposta de cadeias produtivas prioritárias para o Plano Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos.
