Oposição mantém impeachment de Peña após presidente anunciar renúncia no Paraguai
Parlamentares da oposição paraguaia rejeitaram a renúncia anunciada pelo presidente Santiago Peña nesta quinta-feira (5) e defenderam a continuidade do processo de impeachment contra o chefe do Executivo. A Câmara dos Deputados aprovou o pedido por 78 votos, em decisão que mantém a pressão política sobre o governo após o colapso do Ueno Bank.
Mesmo com o anúncio de saída de Peña, o processo de destituição avançou para o Senado, que deverá analisar a próxima etapa. Na mesma sessão, os deputados rejeitaram o pedido de impeachment contra o vice-presidente Pedro Alliana, por 48 votos a 30.
A oposição sustenta que aceitar a renúncia poderia garantir a Peña imunidade parlamentar vitalícia e dificultar uma eventual responsabilização na Justiça comum pelas suspeitas relacionadas ao banco. Essa interpretação sobre os efeitos jurídicos da saída ainda depende de avaliação das autoridades paraguaias.
Entre os parlamentares que defendem a continuidade do processo estão a senadora Esperanza Martínez, da Frente Guasú, e o senador Rafael Filizzola, do Partido Democrático Progressista. Martínez pediu que tanto Peña quanto Alliana sejam responsabilizados pelas irregularidades investigadas. Filizzola afirmou que a renúncia ocorreu tarde e cobrou a destituição do presidente e sua responsabilização criminal.
Já o deputado Raúl Benítez, do Partido Encontro Nacional, criticou a rapidez das movimentações no Congresso após o anúncio da saída. Em manifestação pública, ele apontou risco de impunidade caso o processo seja interrompido.
Colapso bancário ampliou pressão sobre o governo
A crise política ganhou força depois da intervenção do Banco Central do Paraguai no Ueno Bank, motivada pela deterioração da situação econômica da instituição. O banco atendia aproximadamente 3 milhões de clientes, e a suspensão dos serviços deixou correntistas com dificuldades para acessar contas e movimentar dinheiro.

Peña também passou a ser questionado por suas antigas relações comerciais com o grupo ligado à instituição financeira. O presidente deixou sua participação societária em março de 2025, mas a oposição cobra investigação sobre possíveis conflitos de interesses e a administração de recursos públicos depositados no banco.
Ao anunciar a renúncia, o presidente afirmou que buscava preservar a estabilidade institucional e defendeu a devolução dos valores aos correntistas. A oposição, no entanto, mantém a cobrança por apuração das responsabilidades relacionadas ao colapso financeiro.
A crise tem repercussão direta para Mato Grosso do Sul pela relação estratégica com o país vizinho. Peña esteve em Campo Grande em março deste ano, durante a COP15, quando participou de compromissos com autoridades brasileiras e empresários do Estado. O Paraguai também integra o projeto da Rota Bioceânica, corredor que ligará Mato Grosso do Sul aos portos chilenos, com passagem pela Argentina e pelo território paraguaio.
