Democratas conquistam maioria no Congresso dos EUA e ativista agradece ao Brasil

O Partido Democrata conquistou a maioria na Câmara dos Representantes e no Senado dos Estados Unidos nas eleições de meio de mandato realizadas na terça-feira (3), retirando dos republicanos o controle das duas Casas do Congresso durante os dois últimos anos do governo de Donald Trump.

Os novos parlamentares assumirão os cargos em janeiro de 2027. Até lá, os republicanos continuam com a maioria na composição atual. A mudança, porém, abre caminho para que a oposição controle a pauta legislativa, tenha influência sobre o orçamento federal e amplie a fiscalização das ações do governo.

Na atualização da apuração divulgada pelo UOL às 7h30 desta quarta-feira (4), os democratas somavam 228 cadeiras na Câmara, contra 139 dos republicanos. Outras 68 vagas ainda estavam em disputa. No Senado, o partido havia garantido 54 das 100 cadeiras, sete a mais em relação à eleição anterior, enquanto duas disputas permaneciam sem definição.

O resultado também alterou a composição dos governos estaduais. Os democratas conquistaram cinco governos que estavam nas mãos de republicanos. Com as vitórias confirmadas até a atualização da apuração, o país teria 28 governadores democratas e 20 republicanos, além de duas disputas ainda abertas.

Vitórias estaduais marcam mudanças históricas

No Texas, os democratas venceram tanto a disputa pelo Senado quanto a eleição para o governo estadual. James Talarico, de 37 anos, derrotou o republicano Ken Paxton, enquanto Gina Hinojosa superou Greg Abbott, que tentava a reeleição. As vitórias encerraram um longo período sem conquistas democratas nessas disputas estaduais.

Outros resultados marcaram a eleição por feitos inéditos. Keisha Lance Bottoms foi eleita a primeira governadora negra da história dos Estados Unidos, na Geórgia. No Novo México, Deb Haaland se tornou a primeira mulher indígena a assumir o comando de um estado. Já na Califórnia, Xavier Becerra foi eleito o primeiro governador latino.

A vitória democrata também provocou manifestações de integrantes do partido nas redes sociais. O ativista e criador de conteúdo Isaiah Martin publicou uma mensagem em que agradeceu ao Brasil por, segundo ele, ter mostrado o caminho para o resultado eleitoral.

A expressão usada no fim da publicação faz referência ao bordão associado ao deputado federal André Janones, que coordenou o canal de WhatsApp Exército do Lula durante a campanha de mobilização de apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas redes sociais.

Trump atribui parte da derrota à guerra e ao preço da gasolina

Donald Trump reconheceu o resultado e parabenizou os adversários em entrevista à Fox News. O presidente atribuiu parte das perdas republicanas ao desgaste provocado pela guerra contra o Irã e ao preço dos combustíveis. Em outra declaração, afirmou que teria vencido caso seu nome estivesse nas cédulas.

“Eu não estava na cédula eleitoral e, se estivesse, teríamos vencido com uma vitória esmagadora”, disse.

Nas redes sociais, o republicano também responsabilizou a Fox News pela derrota e criticou Greg Abbott após a perda do governo do Texas. A eleição ocorreu em meio a sinais de afastamento de parte dos eleitores jovens e latinos em relação ao presidente, grupos que haviam contribuído para sua vitória em 2024.

A votação antecipada foi outro dado expressivo. Mais de 61,7 milhões de cédulas foram enviadas pelo correio antes do dia da eleição. No Texas, a campanha de Talarico arrecadou US$ 145 milhões, enquanto Paxton obteve US$ 22 milhões.

Com a nova maioria, os democratas poderão abrir investigações parlamentares sobre Trump, seus familiares e integrantes do governo. A oposição também terá influência sobre a aprovação do orçamento e sobre as indicações para cargos que dependem do Senado.

O controle das duas Casas, entretanto, não retira do presidente o poder de veto. Para derrubar uma decisão de Trump, os parlamentares precisariam reunir dois terços dos votos tanto na Câmara quanto no Senado. A maioria democrata também poderá iniciar um processo de impeachment, mas a destituição do presidente depende de dois terços dos votos dos senadores.

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