Victor Rocha defende atendimento permanente no interior em projeto para a Câmara Federal
O médico mastologista e vereador Victor Rocha disputa uma vaga na Câmara Federal colocando a saúde no centro da candidatura. Idealizador da Casa Rosa e da Casa Azul, ele chega à eleição depois de projetos que reduziram filas no SUS e ampliaram o acesso a consultas, exames e diagnóstico especializado para pacientes de diferentes regiões de Mato Grosso do Sul.
A Casa Rosa começou em 2021 diante de uma fila de 1.010 mulheres que aguardavam consulta com mastologista em Campo Grande. Na época, os hospitais juntos ofereciam cerca de 120 consultas mensais nessa especialidade. O novo serviço entrou em funcionamento com aproximadamente 320 vagas por mês.
O modelo concentrou consultas, exames e encaminhamentos para reduzir o tempo entre a chegada da paciente e a investigação de uma alteração suspeita. Nos anos seguintes, a fila para consultas de mastologia e biópsias foi eliminada e o número de atendimentos cresceu.
A expansão também mudou o perfil de quem procura o serviço. Embora a estrutura principal esteja em Campo Grande, a Casa Rosa passou a receber mulheres encaminhadas de outros municípios, enquanto equipes dos projetos também começaram a percorrer cidades com ações itinerantes.
Casa Rosa passou a receber pacientes de dezenas de municípios
Em janeiro de 2025, a Casa Rosa já contabilizava mais de 9 mil atendimentos e pacientes de 38 municípios de Mato Grosso do Sul. Meses depois, os registros apontavam mais de 12 mil atendimentos gratuitos e 221 diagnósticos de câncer de mama.
O alcance estadual ocorre mesmo com a estrutura fixa funcionando na Capital. Mulheres que vivem no interior são encaminhadas para Campo Grande quando precisam de atendimento especializado, exames ou investigação de casos suspeitos.
A Casa Azul ampliou posteriormente o trabalho para a saúde masculina, principalmente na prevenção e diagnóstico do câncer de próstata. Com os dois projetos funcionando, as ações realizadas fora da Capital passaram a reunir serviços voltados tanto para homens quanto para mulheres.

Victor também continuou atuando como médico durante os mandatos de vereador. Na Câmara Municipal, a saúde permaneceu entre as principais áreas de atuação, com participação em discussões envolvendo filas, atendimento especializado e funcionamento da rede pública.
A experiência na área começou antes da política. Médico mastologista, Victor trabalhou por mais de duas décadas na saúde e também passou pela gestão municipal antes de chegar à Câmara de Campo Grande.
Corumbá e Ladário já receberam equipes dos projetos
O atendimento no interior não acontece apenas com pacientes que viajam até Campo Grande. Casa Rosa e Casa Azul também realizam ações diretamente nos municípios, com equipes levando consultas e exames para atender demandas acumuladas nas redes locais.
Ladário recebeu uma dessas ações em abril de 2025. Mais de 400 atendimentos foram realizados em um único dia na Policlínica do município.

A força-tarefa incluiu 159 consultas de mastologia, 55 de urologia, 39 ultrassonografias de mama, dez ultrassons de próstata, 31 exames de PSA, 65 preventivos e 38 testes rápidos. Também foram realizadas verificações de pressão arterial e glicemia.
Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, a ação eliminou naquele momento filas que chegavam a sete meses para alguns procedimentos. Consultas de urologia, exames preventivos, ultrassonografias de mama e parte da demanda relacionada à próstata estavam entre os serviços represados.
Corumbá também recebeu ações ligadas aos projetos. A presença das equipes na região aproximou esse trabalho da cidade onde Victor nasceu e passou parte da infância antes de seguir a formação médica e construir a carreira profissional em Campo Grande.
A origem corumbaense chegou até o Carnaval. Em 2024, a escola de samba A Pesada, comunidade com a qual Victor mantém ligação desde a juventude, transformou sua trajetória em enredo e levou para a avenida passagens da infância, da medicina e da criação da Casa Rosa.
A ligação com a região, no entanto, não fica restrita à história pessoal. O atendimento realizado em Corumbá e Ladário passou a servir também como referência para uma proposta que Victor apresenta agora para os próximos anos.
Próximo passo é manter atendimento permanente no interior
A proposta não é começar a atender moradores do interior, porque isso já acontece. O que Victor defende é mudar o formato em algumas regiões, criando estruturas permanentes capazes de manter consultas e exames durante o ano inteiro.
Atualmente, o morador do interior pode ser encaminhado para a Casa Rosa em Campo Grande ou esperar pelas ações itinerantes realizadas em parceria com os municípios. O modelo permanente reduziria essa dependência em regiões onde existe demanda suficiente para manter atendimento especializado de forma contínua.
Corumbá aparece entre as cidades incluídas nessa discussão. Victor apresentou a proposta de implantar um Centro de Especialidades Médicas voltado ao atendimento de mulheres, homens, crianças e idosos.

Outra possibilidade discutida é utilizar a Casa do Pantanal para receber consultórios e serviços de saúde. A ideia é criar um ponto fixo que possa atender moradores de Corumbá, Ladário e da região pantaneira.
Os projetos ainda dependem de recursos, parcerias e definição do modelo de funcionamento para serem implantados. Victor afirmou que pretende iniciar esse trabalho em 2027 caso consiga viabilizar as estruturas.
A proposta aproveita uma demanda já identificada durante as ações itinerantes. Quando uma equipe consegue realizar centenas de procedimentos em apenas um dia e reduzir meses de espera, o candidato argumenta que existe espaço para manter parte desses serviços disponível de maneira regular.
Para pacientes que vivem longe dos grandes centros, a diferença também está no deslocamento. Moradores de Corumbá e Ladário percorrem mais de 400 quilômetros quando precisam buscar determinados atendimentos especializados em Campo Grande.
Mandato federal entra como caminho para buscar mais recursos
A candidatura a deputado federal surge nesse ponto. Depois de dois mandatos como vereador de Campo Grande, Victor tenta pela primeira vez ocupar uma cadeira na Câmara dos Deputados e apresenta a saúde como principal área de uma eventual atuação em Brasília.
“Depois de dois mandatos como vereador, de uma vida dedicada à medicina e de mais de 20 anos trabalhando pela saúde, dou um novo passo: sou candidato a deputado federal por Mato Grosso do Sul”, afirmou ao iniciar a campanha.
Victor defende que um mandato federal permitiria ampliar a busca por recursos para consultas, exames, equipamentos e estruturas de atendimento nos municípios. A proposta apresentada pelo candidato é usar a experiência acumulada nos projetos para aumentar a capacidade de atendimento do SUS em diferentes regiões.

A mudança de cargo também amplia o território político. Ele foi eleito vereador pela primeira vez em 2020 e conquistou o segundo mandato em 2024, quando recebeu 5.355 votos em Campo Grande. Agora precisa apresentar seu trabalho a eleitores de todo Mato Grosso do Sul.
Nesse processo, Corumbá aparece naturalmente dentro da trajetória. Foi onde Victor nasceu e cresceu antes de seguir para a medicina. Campo Grande foi onde construiu a carreira, entrou na política e implantou os principais projetos. O atendimento realizado nos últimos anos, porém, passou a alcançar moradores de diversas cidades e equipes começaram a chegar diretamente aos municípios.
“Quero levar esse trabalho ainda mais longe, defender mais recursos para a saúde, fortalecer o SUS e representar Campo Grande, Corumbá e todo Mato Grosso do Sul em Brasília”, afirmou.
A proposta para um eventual mandato federal parte justamente dessa estrutura já existente. Casa Rosa recebe pacientes de diferentes regiões, Casa Rosa e Casa Azul percorrem municípios com atendimentos itinerantes e o próximo passo apresentado pelo candidato é buscar condições para que algumas regiões tenham estruturas permanentes, reduzindo distâncias e mantendo o serviço disponível durante todo o ano.
