ANM cobra reforço em barragens e pilhas de mineração de MG diante do El Niño
A Agência Nacional de Mineração recomendou reforço no monitoramento e na segurança de barragens, pilhas e outras estruturas do setor diante dos possíveis efeitos do El Niño. Em Minas Gerais, onde há grande concentração de empreendimentos minerários, as orientações incluem inspeções mais frequentes, revisão dos sistemas de drenagem e acompanhamento das condições geotécnicas durante períodos de chuva intensa.
Confirmado em junho, o El Niño deve permanecer pelo menos até o início de 2027. O terceiro boletim elaborado por órgãos como Inpe, Inmet, Cemaden, ANA e Serviço Geológico do Brasil apontou probabilidade superior a 90% de ocorrência de um evento muito forte entre setembro e novembro de 2026.
Para Minas Gerais, a previsão do trimestre entre setembro e novembro indica maior possibilidade de volumes de chuva abaixo da média, mas isso não elimina episódios isolados de precipitação intensa. Por esse motivo, o acompanhamento das condições meteorológicas e das estruturas continua entre as medidas recomendadas aos empreendedores.
Entre as providências indicadas pela ANM estão a verificação das drenagens superficiais, estruturas de escoamento e equipamentos de bombeamento. A agência também orienta que instrumentos de monitoramento permaneçam sob acompanhamento e que inspeções sejam intensificadas durante e depois de chuvas fortes.
Taludes, acessos e demais componentes das estruturas devem ser observados para identificação de sinais como erosões, infiltrações, trincas ou movimentações de material. Sistemas de comunicação e alerta também precisam permanecer operacionais, assim como a articulação das empresas com os órgãos de Defesa Civil.
Municípios mineradores pedem fiscalização mais intensa
A Associação Brasileira dos Municípios Mineradores levou à ANM uma proposta para que alertas meteorológicos severos sejam utilizados como gatilho para aumentar a frequência das inspeções. A entidade defende acompanhamento mais próximo de drenagem, níveis de água, vazões, deformações e processos erosivos nas estruturas.
Segundo a associação, eventos extremos podem elevar infiltração e saturação dos materiais, pressionar sistemas de drenagem e provocar erosões ou instabilidades localizadas. A preocupação apresentada à agência é que parte dos parâmetros utilizados em projetos e fiscalização foi construída a partir de séries históricas de precipitação.
Empresas com operações em Minas Gerais também informaram medidas próprias de prevenção. A Jaguar Mining afirmou ter reforçado bombeamento, limpeza de drenagens, manutenção de acessos e estabilização de taludes, além de manter monitoramento meteorológico permanente.
Já a Vale informou que utiliza dados meteorológicos, radares, imagens de satélite e informações de aproximadamente 70 estações instaladas nos estados onde atua. No Sudeste, a companhia informou ter intensificado inspeções de estruturas e o acompanhamento meteorológico, hidrológico e geotécnico.
