Polícia Civil afasta oito servidores presos por suspeita de desviar drogas apreendidas
A Corregedoria-Geral da Polícia Civil determinou o afastamento compulsório de um delegado e sete investigadores presos preventivamente na investigação sobre suspeitas de desvio e comercialização de drogas apreendidas em Mato Grosso do Sul. As medidas foram publicadas nesta sexta-feira (25) e retroagem a quinta-feira, quando as prisões foram cumpridas.
Além do afastamento, as portarias determinam o recolhimento das carteiras funcionais, armas e bens públicos que estavam com os servidores. Senhas e acessos aos sistemas policiais, entre eles Sigo e Infoseg, também foram suspensos, enquanto férias programadas foram canceladas durante o período de prisão.
Entre os atingidos pela medida está o delegado Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa. Também foram afastados os investigadores Douglas Tobias, Luiz Carlos de Souza, Marcos André Santos Chaves, Nelson Ricardo Barros de Oliveira, Neverson Vieira de Araújo, Nilton César Sales dos Santos e Roberto Palmeira da Silva, lotados em diferentes unidades da Polícia Civil.
Os policiais são investigados na Operação Infiltrados, conduzida pelo Gaeco em conjunto com a própria Corregedoria. A apuração aponta a possível existência de uma organização criminosa formada por agentes públicos envolvidos no desvio de entorpecentes armazenados em delegacias e depósitos oficiais para posterior comercialização.
Ao todo, a operação reúne 64 ordens judiciais, sendo 24 mandados de prisão preventiva, dois de prisão temporária e 38 de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados e Terenos. As investigações começaram no fim de 2025, depois de surgirem suspeitas sobre o desaparecimento ou substituição de parte das cargas de drogas antes da incineração oficial.
Hoffman não foi encontrado durante as buscas realizadas em sua residência, mas se apresentou à Corregedoria no fim da tarde de quinta-feira. Os demais presos começaram a passar por audiências de custódia nesta sexta, enquanto o delegado tem audiência prevista para sábado (26).
Segundo a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública, todos os servidores afastados também responderão a processos administrativos disciplinares, que poderão resultar em sanções funcionais independentemente do andamento das investigações criminais.
A Sejusp informou ainda que os agentes já vinham sendo acompanhados internamente pelas corregedorias antes da operação. As suspeitas permanecem sob investigação, e o afastamento administrativo não representa condenação dos servidores.
