União dá alívio de R$ 3,2 bilhões a MS enquanto contas do Estado entram no vermelho

Mato Grosso do Sul deixará de pagar R$ 3,2 bilhões à União nos próximos 30 anos após renegociar uma dívida de R$ 7,8 bilhões pelo Propag. O alívio financeiro ocorre em um momento de pressão sobre as contas estaduais, que fecharam o terceiro bimestre de 2026 com déficit primário de R$ 460 milhões.

O valor que o Estado deixará de desembolsar corresponde a 41% do saldo da dívida renegociada. A adesão ao programa federal reduz o peso dos pagamentos futuros e dá mais fôlego ao orçamento estadual.

A renegociação ganha importância diante dos demais indicadores fiscais de Mato Grosso do Sul. Enquanto o acordo garante um alívio bilionário nos próximos anos, as despesas do Estado avançam acima da arrecadação.

Até o terceiro bimestre, as receitas totais cresceram 8% e chegaram a R$ 13,67 bilhões. As despesas tiveram alta de 14%, alcançando R$ 12,94 bilhões no mesmo período.

O resultado foi um déficit primário de R$ 460 milhões. No mesmo período do ano passado, o rombo era de R$ 18 milhões.

A pressão sobre o caixa também aparece em outras áreas. Os gastos com pessoal consumiram 60% da receita total do Estado, enquanto a poupança corrente ficou em apenas 6,4% da receita corrente líquida, o menor índice entre os estados brasileiros.

A Previdência ampliou o peso sobre as contas públicas. O déficit do Fundo em Capitalização chegou a R$ 869,37 milhões até o terceiro bimestre de 2026, contra R$ 520 milhões no mesmo período do ano anterior.

Mesmo com o alívio obtido na renegociação, a dívida consolidada de Mato Grosso do Sul aumentou. O estoque chegou a aproximadamente 72% da receita corrente líquida, com crescimento de 13% em relação ao registrado no fim de 2025.

O percentual supera os índices de estados vizinhos. Mato Grosso registrou dívida equivalente a 59% da receita corrente líquida e Goiás, 56%.

Alívio federal

Mato Grosso do Sul aderiu ao Propag, programa federal criado para renegociar as dívidas dos estados com a União.

No caso sul-mato-grossense, o saldo renegociado é de R$ 7,8 bilhões. Pelos cálculos do Tesouro Nacional, o Estado deixará de pagar R$ 3,2 bilhões ao longo das próximas três décadas.

O acordo reduz uma das pressões futuras sobre o orçamento estadual, mas não elimina os problemas apontados pelos demais indicadores fiscais. O Estado encerrou o período com déficit primário, despesas crescendo acima da receita, aumento do rombo previdenciário e a menor poupança corrente do país.

O contraste está nos números. De um lado, Mato Grosso do Sul conseguiu reduzir em R$ 3,2 bilhões os pagamentos futuros da dívida com a União. De outro, fechou o terceiro bimestre com as contas no vermelho e despesas crescendo quase duas vezes mais que as receitas.

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