Déficit da previdência de MS salta de R$ 520 milhões para R$ 869 milhões em um ano

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O déficit do Fundo em Capitalização da previdência de Mato Grosso do Sul saltou de R$ 520 milhões em 2025 para R$ 869,37 milhões até o terceiro bimestre de 2026. O aumento de aproximadamente R$ 349 milhões em um ano mostra uma das principais pressões sobre as contas públicas do Estado.

Os números estão no levantamento do Tesouro Nacional sobre os regimes próprios de previdência dos servidores estaduais. No ano passado, o déficit do fundo correspondia a cerca de 5% da receita corrente líquida. Agora, chegou a aproximadamente 8%.

Para entender o tamanho do problema, basta transformar o número em uma comparação simples. O buraco previdenciário de R$ 869 milhões representa quase R$ 350 milhões a mais do que o registrado no mesmo período do ano anterior.

A Previdência Social foi também a maior despesa individual do Estado até o terceiro bimestre. Foram R$ 3,29 bilhões destinados à área, equivalente a 22% das despesas totais registradas no período.

déficit da previdência de Mato Grosso do Sul
Déficit da previdencia de MS saltou de 5% para 8% em um ano

Por que ao déficit da previdência de MS pesa tanto nas contas

O Fundo em Capitalização faz parte do Regime Próprio de Previdência Social, utilizado para organizar os recursos destinados aos benefícios previdenciários dos servidores públicos.

O problema aparece quando os recursos disponíveis não são suficientes para cobrir os compromissos previstos. No caso de Mato Grosso do Sul, o resultado do Fundo em Capitalização passou de um déficit de R$ 520,02 milhões em 2025 para R$ 869,37 milhões em 2026.

Déficit da previdência de MS
Rombo na previdência quase dobrou nos últimos 12 meses

A proporção em relação à receita também piorou. O déficit equivalia a aproximadamente 5% da receita corrente líquida no levantamento anterior e passou para cerca de 8%.

O crescimento do rombo ocorre ao mesmo tempo em que o Estado enfrenta um déficit primário de R$ 460 milhões. São indicadores diferentes, mas ambos apontam para a pressão crescente sobre o orçamento estadual.

O déficit primário mede a diferença entre receitas e despesas primárias do governo. Já o resultado previdenciário mostra o desequilíbrio específico do regime de previdência dos servidores.

Por isso, os R$ 869 milhões não devem ser apresentados simplesmente como dinheiro que o Estado gastou com aposentadorias. O número representa o resultado negativo do fundo previdenciário e revela a diferença entre os recursos disponíveis e as obrigações do regime.

O dado ganha ainda mais importância porque a Previdência já representa 22% de toda a despesa estadual. Em valores, foram R$ 3,29 bilhões até o terceiro bimestre.

A pressão previdenciária, portanto, não está isolada. Ela aparece ao lado dos gastos com pessoal, que consumiram 60% da receita total, e da baixa margem de recursos próprios para novos investimentos.

O levantamento do Tesouro Nacional mostra ainda que o resultado previdenciário de Mato Grosso do Sul piorou justamente em um momento em que o Estado aumentou suas despesas em ritmo superior ao crescimento da arrecadação.

A receita total cresceu 8% em relação ao mesmo período de 2025. As despesas, porém, avançaram 14%.

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O resultado é uma combinação que merece atenção nas contas estaduais. O Estado arrecada mais, mas seus gastos crescem mais rapidamente, enquanto o déficit previdenciário aumenta e passa a consumir uma parcela maior da capacidade financeira do governo.

Os dados integram o RREO em Foco Estados + DF, publicado pela Secretaria do Tesouro Nacional com informações fiscais consolidadas dos estados e do Distrito Federal.

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