Venezuela anuncia acordo petrolífero com Estados Unidos para ampliar produção

Em comunicado publicado nas redes sociais na sexta-feira (28) a presidente interina apresentou o teor do acordo que, segundo o governo, ativará aportes externos e privados para a indústria petrolífera. “A Venezuela anuncia um acordo histórico com o governo dos Estados Unidos, que terá um impacto significativo no renascimento da nossa nação”, Delcy Rodríguez, presidente interina, quase nove meses depois do sequestro do presidente Nicolás Maduro pelo exército norte-americano.

Ao detalhar o protocolo, a dirigente afirmou que a iniciativa abrirá espaço para empresas privadas e lista metas de exploração e produção. “[O protocolo prevê] o desenvolvimento de 17 campos estratégicos, com um potencial comprovado de 65 mil milhões de barris de petróleo.” Delcy Rodríguez contextualizou a assinatura do documento com a retomada das relações diplomáticas entre Caracas e Washington.

Rodríguez também trouxe estimativas financeiras e fiscais relacionadas ao acordo, indicando a escala dos recursos previstos. “um investimento de mais de US$ 100 bilhões de dólares e mais de US$ 209 bilhões de dólares em receitas fiscais para o Estado” Delcy Rodríguez relacionou esses números à recuperação da indústria e ao impacto fiscal esperado.

Ao qualificar o alcance político do protocolo, a presidente interina o inscreveu no âmbito das relações bilaterais entre os dois países. “um marco histórico nas relações bilaterais” Delcy Rodríguez vinculou a assinatura do protocolo ao “fortalecimento das relações” que culminou na reabertura de canais diplomáticos em março.

O acordo tem, segundo a narrativa oficial, objetivos operacionais e de infraestrutura que visam modernizar o setor petrolífero venezuelano. “fluxo significativo de investimentos destinados à recuperação e reconstrução da infraestrutura estratégica para o desenvolvimento” Delcy Rodríguez afirmou que esses recursos deverão servir para recuperar campos e instalações.

Em seguida a presidente interina destacou o papel social e econômico que os investimentos teriam sobre o país. “Estes investimentos contribuirão não só para a recuperação e modernização da nossa indústria, mas também para o crescimento económico do nosso país, a segurança energética do nosso hemisfério e um maior equilíbrio nos mercados internacionais.” Delcy Rodríguez associou a iniciativa à criação de empregos e à melhoria do rendimento dos trabalhadores.

Na apresentação das metas de longo prazo, a chefe do Executivo interino expôs a ambição de transformar a posição energética da Venezuela em força de desenvolvimento. “avançar para a consolidação de uma potência energética produtiva” e colocar as “imensas reservas ao serviço do desenvolvimento nacional, da criação de emprego, do aumento do rendimento dos trabalhadores e do bem-estar” Delcy Rodríguez concluiu dizendo “A Venezuela está, assim, consolidando uma nova etapa de recuperação, crescimento, produção, segurança e prosperidade para o nosso povo”

Dados técnicos e de capacidade dão contexto à dimensão do que foi anunciado, conforme informações oficiais e de agências internacionais. A Venezuela detém reservas estimadas em 303 bilhões de barris de crude, o que representa cerca de 17 por cento da oferta mundial segundo a Administração de Informação Energética norte-americana. Apesar disso, a produção atual foi informada em 1,23 milhões de barris por dia na segunda-feira (24), nível mais alto desde fevereiro de 2019, e o país responde por cerca de 1 por cento do petróleo mundial devido a fragilidades na infraestrutura.

Do lado norte-americano, a comunicação oficial incluiu avaliação sobre a magnitude do acordo e foi utilizada para justificar medidas adotadas pelo governo. Horas antes do anúncio venezuelano Donald Trump declarou que os Estados Unidos fecharam “o maior acordo de petróleo da história mundial” ao tratar do controle de reservas venezuelanas estimadas em 65 bilhões de barris.

O anúncio americano surge em contexto de pressão sobre os preços de combustíveis e de preocupação com interrupções no Oriente Médio, com a guerra no Irã completando seis meses. Informações sobre os níveis das reservas estratégicas norte-americanas indicam que no início de agosto elas caíram para menos de 300 milhões de barris, queda de mais de 100 milhões desde o começo de 2026.

A assinatura do protocolo reacendeu questionamentos sobre negociações entre autoridades dos dois países antes do sequestro do ex-presidente Nicolás Maduro. Maduro foi capturado na madrugada do dia 3 de janeiro de 2026 em operação promovida pelo Exército dos Estados Unidos, episódio que suscitou críticas de países como o Brasil e parte da imprensa internacional que o considerou ilegal e imprudente.

Relatos públicos indicam que, após a prisão de Nicolás Maduro, a vice-presidenta Delcy Rodríguez assumiu a presidência, enquanto Maduro e sua esposa Cilia Flores permanecem detidos em um presídio federal no bairro do Brooklyn em Nova York. Investigações e acusações norte-americanas citavam Maduro como líder de um suposto cartel denominado De Los Soles, afirmação que especialistas em combate a drogas estrangeiras colocaram em dúvida por falta de evidências, segundo registros da cobertura internacional.

PUBLICIDADE



Veja também