Polícia prende cinco suspeitos de matar e decapitar homem atraído por falsa oferta de emprego em MS
Vítima foi amarrada em casa antes de ser executada em canavial; um dos presos confessou participação em outro crime similar em 2018
Cinco pessoas foram detidas pela morte e decapitação de Diego Estefan dos Santos Ferreira, conhecido como Corumbá, em Sonora, a 362 quilômetros de Campo Grande. O corpo dele foi localizado em um canavial na sexta-feira (21), com as mãos amarradas por uma extensão elétrica e um tecido. A cabeça estava a cerca de oito metros do corpo.
Diego teria sido atraído por uma falsa oferta de trabalho em uma fazenda. Conforme o boletim de ocorrência, ele estava desaparecido desde 20 de agosto. A esposa disse à polícia que ele recebeu uma ligação de um homem oferecendo o emprego e, após receber a localização de uma residência, ela o deixou no endereço indicado. Horas depois, ao voltar para buscá-lo, foi informada pela proprietária do imóvel que Diego havia saído de motocicleta com um homem. Ele não foi mais visto.
De acordo com as investigações, depois de chegar à casa, na Rua 3 de Outubro, em frente ao Bar do Neco, Diego foi mantido amarrado. Em seguida, foi colocado no carro de Maiara Souza Alves e levado até o local do assassinato. Nos depoimentos à Polícia Civil, os envolvidos disseram que se revezaram nas agressões. Maycon Douglas Rezende Garcia confessou que Carlos André da Silva Vieira começou a cortar o pescoço da vítima, Jean Lucas de Araújo Cezar continuou e ele próprio participou da decapitação.
Jean, conhecido como G2, também confessou participação e afirmou que, antes da execução, os suspeitos fizeram uma ligação. Segundo ele, um homem identificado como Vicente teria dado a ordem para que a cabeça de Diego fosse arrancada, sob a alegação de que a vítima integraria o PCC (Primeiro Comando da Capital). Além de Maycon, Jean, Carlos e Maiara, Luciano Lima dos Santos foi identificado como possível coautor. Todos tiveram a prisão em flagrante convertida em preventiva pelo juiz Rafael Gustavo Mateucci Cassia, após audiência de custódia.
Durante o interrogatório, Luciano negou participação na morte de Diego e afirmou que os demais envolvidos estariam mentindo. No entanto, conforme registrado na manifestação do Ministério Público, ele declarou ter participado de outra decapitação, ocorrida há cerca de oito anos, cuja vítima seria Lailla. O relato remete ao assassinato de Lailla Cristine de Arruda, de 19 anos, encontrada morta e decapitada em um canavial de Sonora, em 2018. Na época, quatro pessoas confessaram participação no chamado julgamento da jovem, que, segundo os envolvidos, teria sido morta por supostamente pertencer a uma facção rival. Em 2022, a Justiça julgou nove pessoas pelo crime e elas receberam penas que somaram mais de 250 anos de prisão. Luciano era um dos três adolescentes que não passaram pelo júri popular.

