Carretas de minério desgastam vias e deixam conta de manutenção para o poder público
A circulação de carretas que transportam minério de ferro até os portos de Corumbá e Ladário gera uma conta mensal de aproximadamente R$ 30 mil para a Prefeitura de Corumbá, somente com tapa-buracos nas vias urbanas utilizadas pela operação. Em um ano, o gasto chega a cerca de R$ 360 mil.
O valor, porém, não representa toda a despesa pública relacionada ao transporte mineral. Segundo a Prefeitura, outras intervenções são realizadas conforme a necessidade e não entram nesse cálculo. Dessa forma, o custo total assumido pelo município para manter a infraestrutura utilizada pelas carretas não está contabilizado.
Uma perícia solicitada pelo Ministério Público identificou parte dos impactos na Rua Frei Liberato, em Ladário. O laudo registrou poeira e partículas avermelhadas dentro de imóveis próximos e apontou formação de lama depois que a via passou a ser molhada para controlar o material suspenso.
Nos trechos sem pavimentação, o tráfego frequente desgasta a via e levanta poeira. A aplicação de água reduz o pó, mas provoca lama. Para o local analisado, a perícia apontou a pavimentação como única solução definitiva.

Estrutura urbana passou a suportar transporte pesado
A malha viária de Corumbá e Ladário foi planejada para atender carros, motos, ônibus e pedestres, mas passou a integrar uma operação de transporte mineral em larga escala. Nem toda a estrutura urbana foi reforçada para suportar esse volume adicional de carga.
Além do pavimento, os efeitos atingem calçadas e acessibilidade. Moradores e instituições próximas às rotas das carretas relatam danos e problemas provocados pela poeira. Entre os locais citados estão unidades do Senai e da Apae.
Nas ruas asfaltadas, o peso e a frequência dos veículos aceleram o desgaste e exigem reparos periódicos da Prefeitura. Assim, uma atividade privada utiliza a infraestrutura viária municipal para levar sua produção aos portos, enquanto a recuperação dos danos permanece, em parte, sob responsabilidade do poder público.

Empresa destaca empregos e investimentos
A LHG Mining informa manter 2.400 empregados diretos, sendo 80% moradores de Corumbá e Ladário. A empresa afirma ainda que sua massa salarial praticamente triplicou entre 2022 e 2025.
Segundo a mineradora, o impacto econômico regional cresceu desde 2022 e novos investimentos devem priorizar trabalhadores e fornecedores da região.

Os números mostram a relevância econômica da operação, mas não eliminam a discussão sobre os custos gerados para o município. A produção é privada, enquanto as vias utilizadas para o transporte dependem de recursos públicos para manutenção.
Com os R$ 30 mil mensais em tapa-buracos somados às demais intervenções não contabilizadas, a Prefeitura absorve despesas decorrentes do uso intensivo da estrutura urbana. O cenário coloca em evidência a diferença entre o retorno econômico apresentado pela atividade mineral e o custo que permanece para o poder público na conservação das rotas utilizadas pelas carretas.
