Fundação de Cultura de MS gasta R$ 4,5 milhões em cachês de eventos religiosos
A Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul (FCMS) reservou cerca de R$ 4,5 milhões para pagamento de cachês artísticos em eventos religiosos neste ano, conforme levantamento divulgado pelo Campo Grande News.
Desse total, R$ 2,2 milhões foram destinados exclusivamente para a Marcha para Jesus, que ocorrerá em 15 cidades do estado. Em Campo Grande, a cantora Maria Marçal receberá R$ 254 mil por uma apresentação de 1h20, enquanto a banda Get Worship embolsará R$ 150 mil e o cantor John Dias, R$ 50 mil, totalizando R$ 454 mil para as três atrações confirmadas na Capital.
Os contratos publicados no Diário Oficial do Estado revelam que, ao longo do ano, foram firmados 17 acordos para a Marcha para Jesus, com valor total de R$ 2.214.000,00. Esse montante representa mais que o dobro do que havia sido gasto até 19 de junho, quando a fundação desembolsou R$ 1,06 milhão para os eventos no interior. Para os quatro eventos de agosto, programados em Campo Grande, Nova Andradina, Aquidauana e Coronel Sapucaia, estão previstos R$ 784 mil em investimentos.
No segmento católico, os valores são menores, porém mais frequentes, com ênfase em festas juninas e comemorações de paróquias. A Festa Julina da Nossa Senhora da Conceição, realizada em 11 de julho na Vila Planalto, contou com o cantor Daran Junior, contratado por R$ 7 mil. Já o grupo Eco do Pantanal recebeu R$ 15 mil para se apresentar na 5ª Festa Junina em Honra a Nossa Padroeira, no Carandá Bosque, em 12 de julho. O maior investimento católico do ano foi no show de Thiago Brado durante a celebração de Corpus Christi, em junho, que custou R$ 155 mil e lotou a Avenida Fernando Corrêa da Costa.
A coordenadora do Fórum Estadual de Cultura, Romilda Neto Pizani, critica a concentração de verbas em eventos religiosos e defende uma distribuição mais equitativa dos recursos públicos.
“Não é o mesmo gasto com o restante dos segmentos culturais. Precisamos que a democracia se faça valer, que os recursos sejam disseminados para outros artistas, que sejam melhor administrados e distribuídos”, afirmou.
Ela também aponta a falta de políticas públicas estaduais e a demora na liberação de editais, como o FIC, que está atrasado. “Hoje, a maioria dos recursos destinados à classe artística de Mato Grosso do Sul vem do governo federal”, completou.
Com o montante investido em eventos religiosos, a fundação poderia ter custeado 10 shows do cantor João Gomes, que se apresentou no MS ao Vivo em julho do ano passado por R$ 450 mil, quebrando recorde de público com 50 mil pessoas no Parque das Nações Indígenas.
