Mato Grosso do Sul registra 10ª maior alta do país em mortes por intervenção policial
Taxa de mortes por intervenção policial subiu 11,1% entre 2024 e 2025 e em seis meses de 2026 já supera o total anual no estado
O estado aparece com a décima maior alta nacional na taxa de mortes decorrentes de intervenção policial, crescimento de 11,1% entre 2024 e 2025, quando os casos passaram de 67 para 75, índice que mais que dobrou a variação média observada no país de 5,4% conforme o 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
Em pouco mais de seis meses de 2026 Mato Grosso do Sul já contabilizava 85 mortes em ações das polícias, número que supera os 75 casos registrados em 2025 e representa aumento de 13,3% em relação ao ano anterior segundo levantamento do Campo Grande News.
O panorama nacional revela que, apesar da tendência de redução das mortes violentas intencionais, as ocorrências atribuídas a intervenções das polícias civil e militar avançaram e chegaram a 6.602 casos em 2025, alta de 5,4% frente a 2024 e participação de 16,2% do total de mortes violentas intencionais conforme o Anuário.
O crescimento acumulado desse tipo de ocorrência entre 2016 e 2025 alcançou 55,7%, o que faz da letalidade policial um componente em expansão na série histórica iniciada em 2016.
A distribuição entre unidades federativas é desigual e o Amapá teve a maior taxa do país com 17,1 mortes por 100 mil habitantes seguido pela Bahia com 10,6 e por estados como Sergipe e Pará, enquanto Roraima, o Distrito Federal e o Rio Grande do Sul registraram as menores taxas, com 0,4; 0,5 e 0,7 respectivamente.
No levantamento por variação entre 2024 e 2025 Rondônia liderou a alta com 485,6% ao saltar de 8 para 47 mortes, seguido por Maranhão 84%, Alagoas 54,6%, Rio Grande do Norte 50,2% e Sergipe 32,6%, e apenas dez estados conseguiram reduzir esse indicador no período analisado.
Em termos regionais Mato Grosso do Sul figura como o estado com mais mortes por intervenção policial no Centro Oeste enquanto o Mato Grosso registrou queda de 34,6% o Distrito Federal redução de 7,1% e Goiás queda de 3,9% segundo os dados do Anuário.
O perfil das vítimas manteve padrão semelhante aos anos anteriores com homens representando 97% dos mortos e quase metade na faixa etária entre 20 e 29 anos, e a desigualdade racial persiste com taxa de 3,5 mortes por 100 mil habitantes entre pretos e pardos contra 1,0 entre brancos o que aponta letalidade 3,5 vezes maior para pessoas negras conforme o estudo.
O capítulo dedicado ao tema do Anuário ressalta que o aumento da letalidade não decorre apenas do modo de enfrentamento ao crime mas também da fragilidade dos instrumentos de fiscalização sobre o uso da força e do avanço da infiltração do crime organizado em estruturas do Estado.
Os autores citam investigações envolvendo policiais e agentes públicos em diferentes unidades da federação e sustentam que a cooptação institucional compromete tanto a eficácia das políticas de segurança quanto a legitimidade do próprio Estado.
Como resposta ao cenário o Fórum recomenda o fortalecimento dos mecanismos de controle interno e externo a ampliação da transparência o uso de câmeras corporais investimentos em inteligência policial e maior integração entre órgãos de investigação patrimonial e financeira como medidas para reduzir a letalidade policial.
O texto também observa que determinações do Supremo Tribunal Federal destinadas a ampliar o controle sobre as ações policiais no Rio de Janeiro ainda não foram plenamente implementadas.

