Procurador diz que ambiente institucional no Rio é voltado à corrupção
Em entrevista coletiva, o procurador responsável pelas investigações afirmou que existe no estado um ambiente institucional que favorece práticas corruptas, no contexto da apuração sobre o Instituto Rio Metrópole. A ação policial levou à prisão de seis agentes e ao cumprimento de nove mandados de busca e apreensão, e a ação penal foi ajuizada pelo Grupo de Atuação Especializada de Defesa da Integridade e Repressão à Sonegação Fiscal contra 11 pessoas denunciadas por organização criminosa, corrupção e fraude em licitação.
Ao descrever o impacto sistêmico desses esquemas sobre a administração pública, o procurador apresentou um quadro que liga desvios ao enfraquecimento das finanças estaduais. “Isso talvez explique a situação de dificuldade financeira pela qual o nosso estado passa há décadas. Inúmeras estruturas do Estado, órgãos que deveriam prestar serviços ao cidadão, foram cooptadas por delinquentes, transformando essas estruturas em antros de corrupção, disse Moreira.”
As investigações apontam para contratos de vulto e para a existência de outros procedimentos em andamento. O valor do contrato ligado ao Instituto Rio Metrópole foi estimado em R$ 80 milhões e, conforme exposto na coletiva, “Outros casos, de superlativa gravidade, também estão sendo objeto de investigação”.
Segundo a equipe responsável, o inquérito foi aberto antes do recebimento de documentos encaminhados pelo governo estadual, mas a troca de informações com o Executivo contribuiu para aprofundar as diligências. A partir da identificação de indícios, foi estruturado um fluxo independente de encaminhamento das informações que permitiu a instauração deste e de outros procedimentos administrativos e criminais.
Questionado sobre o efeito institucional desse trabalho integrado, o procurador manifestou a intenção de transformar o episódio em exemplo didático para a gestão pública. Ao responder às perguntas dos jornalistas, o procurador esclareceu que “o legado que pode ser deixado [por esse governo] é, em termos pedagógicos, a necessidade de promover uma limpeza nas estruturas do estado.
O contexto de coordenação entre órgãos também foi apontado como fator facilitador das apurações. “Há hoje, no estado, um ambiente singular, com a chefia do Poder Executivo transitoriamente exercida pelo presidente do Tribunal de Justiça, magistrado de carreira. Isso tem possibilitado atuação integrada, mas com absoluta independência entre as instituições, no sentido de investigar crimes e atos de improbidade administrativa”
Do Gabinete de Segurança Institucional do Estado do Rio de Janeiro, o secretário Roberto Lisandro Leão destacou medidas internas para detectar irregularidades e encaminhá-las ao Ministério Público. “Estabelecemos um fluxo permanente de auditorias, tanto na área de pessoal quanto na análise de contratos. Criamos esse fluxo para que, identificados indícios de irregularidades, eles fossem encaminhados imediatamente ao Ministério Público. Todos os órgãos estão sendo auditados, o que reforça a importância dessa integração. Quem ganha com isso é a sociedade”
Representando o Comitê de Inteligência Financeira e Recuperação de Ativos da Secretaria Nacional de Segurança Pública, o delegado André Timoni detalhou o apoio técnico às apurações patrimoniais, por meio da produção e difusão de informações estratégicas baseadas em relatórios de inteligência financeira e na análise da movimentação dos recursos desviados, com o objetivo de aprofundar as investigações sobre bens e fluxos financeiros relacionados aos suspeitos.

