Governo insiste na negociação sobre taxação dos EUA e busca evitar tarifas adicionais
O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços afirmou que o país continuará em diálogo com a Representação Comercial dos Estados Unidos para impedir a aplicação de tarifas extras sobre produtos brasileiros, com prazo apontado para 15 de julho.
“Nunca abandone a mesa de negociação”
Ao voltar a citar a orientação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ministro disse que a atuação do governo deve ser firme durante as tratativas, e vinculou a estratégia à defesa de posições multilaterais no comércio internacional.
“Quem defende o multilateralismo, como o Brasil, tem que saber lutar contra as barreiras que são impostas”
Márcio Elias passou a representar o governo nas conversas com os americanos após assumir a pasta em abril, sublinhando que a interlocução tem sido intensa, com quatro encontros de alto nível e oito reuniões técnicas sobre o tema.
O ministro destacou a urgência para chegar a um entendimento antes da data anunciada pelos EUA e apontou que há elementos que atrapalham o debate técnico entre os dois países.
“O tempo corre contra porque o prazo é 15 de julho”
Ao explicar o que considera interferência política, ele trouxe o exemplo de postagens e iniciativas de figuras ligadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro, incluindo publicações feitas nos Estados Unidos e celebrações nas redes sociais no Brasil.
“O exemplo pode ser também a publicação por quem estava nos Estados Unidos, um ex-deputado federal, se dizendo autor, patrocinador do tarifação. Ao mesmo tempo, alguém aqui no Brasil celebrando nas redes sociais o fato de ter sido imposto”
Ele acrescentou que esse tipo de posicionamento não contribui para a negociação e classificou como inadequada a inclusão de motivações eleitorais ou ideológicas nas discussões comerciais.
“Não cabe na mesa de negociação da economia, do comércio bilateral, questões ideológicas, eleitoreiras, pessoalmente oportunistas, isso não tem cabimento”
Representantes do Itamaraty e da assessoria especial da Presidência participaram da reunião virtual com a USTR, na qual também foram tratados temas de cooperação em segurança e investimentos em infraestrutura digital.
Na conversa com a delegação americana, foram abordadas aproximação entre polícias para combate a organizações transnacionais, prevenção à lavagem de dinheiro e a agenda de imigração, além de debates sobre atração de data centers e proteção de patentes.
O ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima participou do encontro e rejeitou a associação feita pelos EUA entre desmatamento e comércio ilegal de madeira como justificativa para taxação, citando mecanismos de controle adotados no país.
“O Ibama libera a exportação verificando toda essa cadeia de custódia, todo o processo regulamentado, registrado”
O processo que motivou a orientação da USTR é baseado na Seção 301 da lei comercial americana, com acusações de concorrência desleal que incluem menções ao Pix como prática que prejudicaria empresas dos EUA, tese rebatida pelo governo brasileiro.
No evento organizado pelo BNDES, o presidente da instituição comentou também uma carta pública do secretário de Estado americano enviada a um pré-candidato brasileiro e classificou a troca como sensível para interesses nacionais.
“É uma afronta à soberania e aos interesses nacionais”
O ministro informou que chegou a postergar sua fala no fórum para participar da reunião com os americanos, o que, segundo ele, reforça o caráter prioritário das negociações para tentar evitar a imposição das tarifas.

