PUBLICIDADE
Brasil assegura soberania sobre terras raras e atrai parcerias

news 183768 1779157269

Durante a inauguração de quatro novas linhas do Sirius, em Campinas, Luiz Inácio Lula da Silva, presidente da República, deixou claro que o país manterá o controle sobre a exploração dos recursos estratégicos e convidou parceiros internacionais a atuar sob essa premissa. “Não temos preferência por ninguém. Pode vir chinês, alemão, francês, japonês, americano. Pode vir quem quiser. Desde que tenham consciência de que o Brasil não abre mão de sua soberania para dizer que os minerais críticos e as terras raras são nossas e que queremos explorá-la aqui dentro”

O evento, realizado no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais, marcou a inauguração de quatro linhas de luz síncrotron do acelerador Sirius, infraestrutura que o governo considera capaz de ampliar a capacidade científica do país em áreas como saúde, energia, agricultura, clima e nanotecnologia.

De acordo com informações oficiais, o aporte destinado às novas linhas é de R$ 800 milhões, financiado pelo novo Programa de Aceleração do Crescimento e pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, investimento que, segundo o presidente, se justifica pelo potencial de retorno ao país. “Para fazer um investimento como esse, a gente não tem que perguntar quanto custa. Qualquer quantidade de milhões que colocarmos é muito pequeno diante da quantidade de milhões que isso aqui vai render para o futuro do país e para o futuro da sociedade brasileira.”

Na avaliação do presidente, projetos viáveis encontram suporte financeiro e político. “Não me convença com discurso, me convença com projeto. Se o projeto for factível, se ele tiver começo, meio e fim, não haverá problema em arrumar dinheiro e aprovar qualquer projeto desse país. E esse projeto aqui é um projeto que pode dar ao Brasil uma respeitabilidade mundial para que nenhum ser humano do mundo ache que o Brasil é inferior”

Linhas e capacidades do Sirius

O Sirius é descrito pelo governo como uma espécie de supermicroscópio, capaz de analisar estruturas em escala atômica por meio da luz síncrotron, um feixe extremamente brilhante que abrange infravermelho, luz visível, ultravioleta e raios X. A expectativa é que a nova configuração impulsione pesquisas em medicamentos, semicondutores, baterias e minerais estratégicos.

As quatro linhas inauguradas receberam os nomes Tatu, Sapucaia, Quati e Sapê e têm aplicações distintas. A Tatu opera na faixa dos terahertz e viabiliza estudos em materiais quânticos, sistemas nanofotônicos e biomoléculas, com potencial impacto em telecomunicações e processamento de dados baseado em luz.

A Sapucaia concentra-se em investigações envolvendo nanopartículas, proteínas, polímeros, catalisadores, medicamentos, fluidos humanos e terapias, ampliando as capacidades para pesquisa biomolecular e farmacêutica.

A Quati foi pensada para avanços em materiais voltados às indústrias petroquímica e farmacêutica, além de abrigar análises relacionadas a terras raras e minerais críticos, setor central na declaração de prioridade do governo.

A Sapê destina-se ao desenvolvimento de materiais avançados aplicáveis a energia, saúde e infraestrutura, com ênfase em supercondutores e semicondutores, componentes fundamentais para a produção de novos chips na indústria eletrônica.

Luiz Inácio Lula da Silva também destacou a importância de combinar infraestrutura com conhecimento para acelerar a investigação desses recursos sem depender exclusivamente da exploração direta. “Se a gente for fazer esse estudo só cavando buraco, isso vai demorar muito. A gente vai ter que contar com inteligência e a ciência e o conhecimento de vocês para dar um salto de qualidade, e ver se, em um curto espaço de tempo, a gente faça que o Trump [presidente dos EUA] deixe de brigar com o Xi Jinping [presidente da China] e venha se associar a nós para explorar isso aqui”

A titular da pasta da Ciência, Tecnologia e Inovações ressaltou que as inaugurações representam um avanço estratégico para o país e para sua posição internacional. Luciana Santos afirmou a ampliação da liderança científica e tecnológica do Brasil. “O que celebramos aqui vai muito além das novas linhas do Sirius ou do avanço das obras do Orion [um complexo para pesquisas avançadas em patógenos]. Essa é a prova de que o Brasil pode ocupar o lugar de liderança científica, tecnológica e industrial no mundo”

Em seguida, a ministra contextualizou o papel do CNPEM na redução de dependência tecnológica e na afirmação da soberania do conhecimento nacional. “O CNPEM ajudou a romper essa lógica de dependência e mostrou que conhecimento também é soberania. Antes do Sirius, pesquisadores brasileiros dependiam de laboratórios estrangeiros para realizar estudos avançados em materiais, proteínas e vírus e tecnologias estratégicas. Isso atrasava pesquisavas e limitava o conhecimento e a capacidade do Brasil em produzir conhecimento em áreas fundamentais”

Ao explicar o alcance técnico do empreendimento, a ministra reforçou o salto de capacidade trazido pelo Sirius e seu lugar entre as principais fontes de luz síncrotron do mundo. “O Sirius colocou o país em outro patamar científico e tecnológico. O Brasil passou a integrar um grupo extremamente restrito e seleto de países que dominam tecnologia de fontes de luz síncrotron de quarta geração. O Sirius é a mais complexa infraestrutura científica já construída no Brasil e abriga um dos mais maiores aceleradores de elétrons no mundo o que nos permite desenvolver pesquisas em medicamentos, semicondutores, baterias e minerais estratégicos”

Além das linhas, foi lançada a pedra fundamental do Programa Nacional de Inovação Radical em Saúde, iniciativa que terá execução inicial pelo CNPEM e pretende ampliar a produção de tecnologias alinhadas ao Sistema Único de Saúde, como biomoléculas, biossensores, dispositivos médicos e novos diagnósticos, com o objetivo de reduzir dependência externa e reforçar a soberania tecnológica na área da saúde

O conjunto de ações anunciadas busca integrar infraestrutura de ponta, financiamento e pesquisa para transformar a exploração e o estudo de minerais críticos e terras raras em um esforço coordenado entre governo, centros de pesquisa e possíveis parceiros internacionais

PUBLICIDADE


andorinha

Veja também