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Operação contra o Master é conduzida pela PF seis meses após início

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A operação da Polícia Federal batizada de Compliance Zero completa seis meses nesta segunda-feira (18) e, segundo a corporação, revelou um esquema que pode ser a maior fraude contra o Sistema Financeiro Nacional já registrada no país, com potencial prejuízo medido em dezenas de bilhões de dólares.

As investigações, iniciadas no começo de 2024 a pedido do Ministério Público Federal, resultaram até 14 de maio na execução de 116 mandados de busca e apreensão, na decretação de 21 prisões preventivas ou temporárias e na expedição de ordens judiciais para bloqueio e sequestro de bens em valores próximos a R$ 27,71 bilhões, conforme informações oficiais.

Medidas de supervisão e ressarcimento

Em consequência das apurações e das evidências reunidas, o Banco Central determinou a liquidação extrajudicial de instituições do conglomerado Master e aplicou o Regime Especial de Administração Temporária no banco Master Múltiplo S A, além de tornar indisponíveis bens de controladores e ex-administradores do grupo.

O Fundo Garantidor de Créditos registrou gastos na ordem de R$ 49,5 bilhões para reembolsar clientes do Grupo Master, do Will Bank e do Banco Pleno, fundos mantidos por contribuições obrigatórias das entidades financeiras associadas para proteger o sistema e garantir depósitos de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ em casos de intervenção ou liquidação pelo BC.

Como o esquema foi identificado e principais fases

Os indícios centrais levantados pela PF apontam para a venda de títulos sem lastro a outras instituições e para a substituição desses ativos após fiscalização do Banco Central sem avaliação técnica adequada.

“fabricação de carteiras de crédito sem lastro financeiro”

A primeira fase, deflagrada em 18 de novembro de 2025, resultou em sete prisões, entre elas a do presidente do Banco Master Daniel Vorcaro, e incluiu o afastamento do então presidente e do então diretor financeiro do Banco de Brasília BRB pela 10ª Vara Federal de Brasília. A ação ocorreu logo depois de anúncio de intenção de compra do Master por parte da Fictor Holding Financeira junto a investidores dos Emirados Árabes Unidos.

Na segunda fase, em 14 de janeiro, o Supremo Tribunal Federal autorizou 42 mandados de busca e apreensão e o bloqueio de mais de R$ 5,7 bilhões dos investigados. Entre os alvos das buscas estavam empresários como Nelson Tanure e o ex-presidente da Reag Investimentos João Carlos Mansur. O pastor Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, chegou a ser detido ao tentar embarcar para os Emirados Árabes Unidos e foi posteriormente liberado.

Na terceira etapa, em 4 de março, a PF reapreendeu Vorcaro e localizou mensagens em seu celular que indicavam planejamento de ações de intimidação, inclusive simulação de agressões a jornalistas e ataques a ex-empregados. A investigação descreveu a existência de uma milícia particular a serviço do banqueiro, apelidada “A Turma”.

“A Turma”

Identificado como chefe do grupo, Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o “Sicário”, foi detido em Belo Horizonte e, segundo a corporação, foi encontrado desacordado na cela, recebeu socorro e acabou morrendo após tentativa de suicídio. A fase incluiu ainda o cumprimento de mandados que resultaram no sequestro e bloqueio de aproximadamente R$ 22 bilhões.

Em 16 de abril, a quarta fase aprofundou apurações sobre corrupção de agentes públicos e levou à prisão preventiva do ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa e do advogado do dono do Master, Daniel Monteiro. A PF aponta que Costa teria acertado com Vorcaro o recebimento de R$ 146,5 milhões por meio de imóveis, e que há indícios de pagamento de pelo menos R$ 74 milhões, hipótese que Costa nega.

A quinta fase, em 7 de maio, mirou figuras do âmbito político e de operadores financeiros, com execuções de mandados no Distrito Federal, Minas Gerais, Piauí e São Paulo. Entre os alvos esteve o senador Ciro Nogueira que, segundo a PF, teria atuado em benefício de interesses do banqueiro e recebido vantagens mensais entre R$ 300 mil e R$ 500 mil além de custeio de viagens e hospedagens. A PF também aponta que assessores do Banco Master teriam preparado redação que serviu de base para acréscimos à PEC 65 2023, conhecida no meio político como Emenda Master, que propunha aumentar a garantia ordinária do FGC para R$ 1 milhão.

Na sexta fase, em 14 de maio, foram cumpridos seis mandados de prisão preventiva e 17 de busca e apreensão, com um sétimo mandado executado dois dias depois com a detenção de Victor Lima Sedlmaier em Dubai em ação conjunta entre PF, Interpol e autoridades locais. Entre os presos figuram Henrique Moura Vorcaro, pai de Daniel, policiais federais aposentados e em atividade apontados como repassadores de informações sigilosas, bem como especialistas em tecnologia vinculados ao núcleo que desenvolveu a estrutura usada no esquema.

O ministro do STF André Mendonça determinou ainda transferências e medidas cautelares para investigados, entre elas a transferência de Marilson Roseno da Silva para presídio federal e o uso de tornozeleira eletrônica por alvos de mandados, com restrições de deslocamento e contato com outros investigados e testemunhas.

Em relação aos alvos e prisões por fase, a PF listou nomes que incluem, entre outros, Daniel Vorcaro e executivos do Master na primeira etapa, Fabiano Zettel e Luiz Phillipi Mourão na terceira, Paulo Henrique Costa na quarta, Felipe Cançado Vorcaro na quinta e uma nova lista de presos na sexta fase com especialistas tecnológicos e policiais federais.

Relatórios e ações judiciais vinculadas à operação foram submetidos ao Supremo Tribunal Federal para fins de decretar prisões e assegurar bloqueios de bens, com decisões que variaram entre prisões temporárias e preventivas conforme o juízo responsável.

Reportagens do portal The Intercept Brasil trouxeram à tona gravações em que o senador e pré candidato à Presidência Flávio Bolsonaro solicita recursos ao banqueiro Vorcaro para financiar a cinebiografia de seu pai, o ex presidente Jair Bolsonaro, em projeto conhecido como Dark Horse, e o parlamentar reconheceu a veracidade dos áudios e do teor da conversa, negando irregularidade e afirmando que os recursos foram aplicados na produção.

Segundo o The Intercept Brasil, o banqueiro teria se comprometido a destinar R$ 134 milhões à produção e liberado ao menos R$ 61 milhões, informação que motivou pedidos de investigação sobre a origem e o uso do dinheiro por parte de parlamentares. A cobertura também notou que o filme tem produção internacional e presença de atores estrangeiros.

Em manifestação pública, o ex deputado federal Eduardo Bolsonaro defendeu o valor do orçamento do filme e avaliou que o montante não parece elevado para padrões de produções hollywoodianas tendo em vista direção e elenco estrangeiros.

Ao completar seis meses, a operação mantém diligências em curso, com medidas que incluem bloqueios, sequestros e ações de cooperação internacional para captura de presos foragidos, conforme divulgado pela Polícia Federal e por decisões judiciais que já conduziram a prisões e afastamentos de servidores públicos envolvidos nas apurações.

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