IHP registra casal de tatu-bola em idade reprodutiva na Serra do Amolar, no Pantanal
Registro em reserva particular sinaliza casal em idade reprodutiva e reforça o banco do IHP com mais de dez anos de monitoramento da Serra do Amolar
O Instituto Homem Pantaneiro registrou um casal de tatu-bola na Serra do Amolar em Corumbá dentro de uma Reserva Particular do Patrimônio Natural, ampliando informações sobre uma espécie cuja distribuição no Brasil ainda é pouco conhecida. Classificada como quase ameaçada pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, a espécie é apontada entre as mais vulneráveis a incêndios florestais e às mudanças climáticas e pode ter o status de conservação agravado em uma revisão em andamento.
O achado integra o banco de dados científico do IHP, montado após mais de dez anos de monitoramento da fauna e da flora na região. O acervo reúne dados de mais de 200 espécies, sendo dez classificadas como vulneráveis ou em perigo de extinção, e subsidia pesquisas sobre biodiversidade, estratégias de prevenção a incêndios e políticas públicas de conservação ambiental. Segundo o ICMBio, os pesquisadores identificaram que os dois animais já estão em idade reprodutiva, o que abre a possibilidade de acompanhar futuramente o surgimento de filhotes na região.
Monitoramento e espécies acompanhadas
O presidente do Instituto Homem Pantaneiro, Ângelo Rabelo, afirmou que a permanência da equipe no território é essencial para compreender os impactos das mudanças climáticas sobre a fauna pantaneira. “O monitoramento que realizamos por mais de 10 anos nos entrega dados que permitem estudar as espécies e buscar entender como elas estão reagindo às transformações do clima e aos eventos extremos no Pantanal. O registro que tivemos do casal de tatu-bola, por exemplo, significa que os esforços estão valendo a pena e precisam ser continuados”.
O analista ambiental do IHP, Luka Moraes, explicou a relevância do registro para ações de conservação em escala global. “Saber que há um casal nessa região representa uma importância global em termos de conservação. A idade deles foi identificada como preparada para o estágio reprodutivo. Esse monitoramento vai seguir para tentarmos identificar filhotes futuramente”.
Além do tatu-bola, o banco do IHP acompanha outras espécies ameaçadas que habitam a Serra do Amolar. Entre os registros estão a onça-pintada, cuja densidade populacional vem sendo estimada na região, e a ariranha, monitorada por meio de sistemas de bioacústica. O levantamento também traz ocorrências de tatu-canastra, tamanduá-bandeira, anta, cervo-do-pantanal, mutum-de-penacho, macaco-prego-do-papo-amarelo e queixada.
A Serra do Amolar integra um dos principais corredores ecológicos do Pantanal na divisa entre Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, próxima à fronteira com a Bolívia. A área concentra morrarias, campos inundáveis e vegetação preservada e abriga elementos dos biomas Cerrado, Mata Atlântica e Amazônia, o que a torna refúgio para diversas populações silvestres.
O monitoramento é realizado com armadilhas fotográficas, sistemas de bioacústica e trabalho de campo nas Reservas Particulares do Patrimônio Natural administradas pelo instituto. As informações alimentam o banco científico utilizado para acompanhar a dinâmica das populações e orientar ações de conservação no Pantanal, incluindo estratégias de prevenção a incêndios e suporte a políticas públicas.
Neste 28 de julho, Dia Mundial da Conservação da Natureza, o registro do casal de tatu-bola reforça o papel da Serra do Amolar como um dos principais refúgios da biodiversidade pantaneira e evidencia a importância do monitoramento contínuo para proteger espécies ameaçadas.

