Instituto Penal de Campo Grande inaugura salão de beleza para população LGBTQIAPN+
A Agepen inaugurou no Instituto Penal de Campo Grande o Salão de Beleza Expressão da Liberdade, espaço estruturado para qualificação profissional na área da beleza voltada prioritariamente à população LGBTQIAPN+ custodiada na unidade.
Serviços, materiais e formação profissional
O salão foi montado com materiais doados pelo Instituto Ação pela Paz e insumos fornecidos com o apoio da Subsecretaria de Políticas Públicas LGBTQIA+, vinculada à Secretaria de Estado de Cidadania. Entre os serviços ofertados estão corte de cabelo, barbearia, unhas em gel, maquiagem e outros cuidados estéticos.
A formação técnica prevista será realizada em parceria com instituições do Sistema S, ampliando as possibilidades de geração de renda e de reinserção no mercado de trabalho após o cumprimento da pena, sem excluir os demais custodiados da unidade.
Som da Liberdade e coordenação
Na mesma solenidade foi ampliado o projeto Som da Liberdade com a doação de novos instrumentos pelo Instituto Ação pela Paz, o que permitiu aumentar o número de internos atendidos e reforçar ações de desenvolvimento pessoal e terapêutico por meio da música.
A coordenação dos projetos é feita pela policial penal Patrícia Gabriela Magalhães, que combina acompanhamento técnico com práticas de acolhimento e desenvolvimento humano dos custodiados.
Leoney Martins Barbosa, diretor do IPCG, colocou o sentido institucional da iniciativa e da equipe. “É um compromisso da gestão e de toda a equipe viabilizar projetos que tragam transformações reais na vida dos custodiados”
Rodrigo Rossi Maiorchini, diretor-presidente da Agepen, ressaltou o papel do Estado na oferta de oportunidades e na adoção de medidas pioneiras, como o uso do nome social nos registros do sistema prisional. “O futuro não é decidido pelo passado. Nosso papel é garantir condições para que cada pessoa tenha a oportunidade de reconstruir sua história”
Maria de Lourdes Delgado Alves, diretora de Assistência Penitenciária, apontou o efeito direto das ações sobre as trajetórias dos custodiados. “São projetos que despertam sonhos e mostram que novos caminhos são possíveis, além de contribuírem para a redução da reincidência criminal”
Representando os participantes do Expressão da Liberdade, a custodiada C. F. S. evidenciou as barreiras enfrentadas fora do sistema e o alcance do projeto. “Muitas vezes, as oportunidades nos são negadas simplesmente por quem somos. Esse projeto traz dignidade no presente e esperança para o futuro”
Mikaella Lima Lopes, subsecretária estadual de Políticas Públicas LGBTQIA+, relacionou a falta de oportunidades à vulnerabilidade social e defendeu a continuidade de políticas dentro e fora do sistema prisional. “Se essas portas tivessem sido abertas antes, talvez muitas dessas pessoas não estivessem aqui hoje. Por isso, é essencial investir em políticas públicas dentro e fora do sistema prisional”
Luiz Felipe Medeiros Vieira, juiz da 1ª Vara de Execução Penal, destacou a responsabilidade estatal na qualificação e reinclusão social. “Não é só obrigação da pessoa privada de liberdade sair melhor. É dever do Estado garantir meios para que isso aconteça”
O interno L.G. A., representante do projeto musical, avaliou o impacto das ações no cotidiano prisional e a função da arte como ponte para a sociedade. “Projetos como esse ajudam a construir uma ponte para o retorno à sociedade. A qualificação e a expressão artística ampliam horizontes e resgatam a esperança de um recomeço”
Além de autoridades e integrantes da Agepen, participaram da solenidade representantes do Judiciário, da Secretaria Municipal de Assistência Social, da Associação das Travestis e Transexuais de Mato Grosso do Sul e diretores de unidades prisionais e assistenciais na capital, consolidando o caráter integrado das ações.

