CBF inicia processo de unificação e visa liga única para gerir Séries A e B do Brasileiro a partir de 2030
Confederação brasileira de futebol articula mudanças profundas e busca criar liga unificada com participação da entidade para séries A e B
A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) deu início a um processo de unificação de ligas na última segunda-feira, dia 6 de abril de 2026. A iniciativa, que atende a pedidos de diversos clubes e federações estaduais, tem como objetivo a formação de uma liga única para a gestão do futebol brasileiro, abrangendo as Séries A e B do Campeonato Brasileiro, com sua efetivação prevista para a temporada de 2030.
Um encontro com representantes de clubes das duas principais divisões e das federações marcou a apresentação do projeto pela diretoria da CBF, liderada pelo presidente Samir Xaud. Internamente, a proposta é vista como um “marco de mudanças no produto futebol brasileiro”, conforme a entidade. A previsão de início em 2030 se dá porque os direitos de transmissão da Série A já estão negociados até 2029.
O detalhamento do plano, contido em um documento de 178 slides, delineia a forma como a confederação pretende conduzir a unificação de ideias. Foram estabelecidos três macrotemas, que correspondem às fases do projeto: Produto, Comercialização e Governança. A intenção da CBF é concluir a primeira fase, focada no “Produto”, ainda em 2026, para depois avançar na venda de direitos, a “Comercialização”, e na estruturação jurídico-administrativa da liga, a “Governança”.
Baseados em análises aprofundadas dos modelos das três principais ligas europeias – Premier League, LALIGA e Bundesliga – e em uma pesquisa quantitativa realizada em agosto do ano anterior com 2,5 mil torcedores em todo o Brasil, a confederação identificou dez “dimensões” fundamentais para o aprimoramento do produto. Essas dimensões incluem calendário, tempo de jogo, segurança, infraestrutura, transmissão, redes sociais, marketing, êxodo de jovens talentos, governança de regulamento e a situação financeira dos clubes. Mesmo com uma população superior à soma de Inglaterra, Espanha e Alemanha, o Brasil apresenta uma receita três vezes menor que as ligas europeias estudadas.
A CBF compreende que o aprimoramento do “Produto” é prioritário antes de se aprofundar na discussão sobre a venda de direitos de transmissão, que representa o principal ponto de divergência entre os atuais blocos de clubes. A entidade decidiu não convidar lideranças da Libra ou da LFU para esta reunião inicial, considerando que a presença dos clubes era suficiente. A confederação se posiciona como mediadora, buscando ser uma das lideranças em uma futura liga unificada. A decisão sobre a manutenção do controle dos campeonatos pela CBF ou a transferência dessa responsabilidade para a nova liga será deixada a cargo dos próprios clubes, sem informações específicas sobre isso no documento apresentado.
Existe um consenso dentro da CBF de que muitos regulamentos de governança do Campeonato Brasileiro não são devidamente aplicados. Aspectos como iluminação inadequada, gramados em condições precárias, a falta de implementação de biometria e a necessidade de punições ágeis e rigorosas são pontos levantados na discussão sobre o futebol nacional. A confederação também percebe que o foco exclusivo na venda de direitos tem prejudicado o tratamento adequado do produto. O objetivo central deste primeiro encontro é estabelecer um fórum para debates, visando, a médio prazo, um plano estratégico para os próximos três anos, a ser acordado no segundo semestre, e, em longo prazo, a criação da liga com a presença da CBF, etapa final prevista entre o segundo semestre de 2027 e janeiro de 2028 como prazo limite.
Eu acho que sim, é um momento histórico, sim, por tudo que nós estamos fazendo pelo futebol brasileiro, agora coma colaboração e a união de todos. Falei lá no meu primeiro discurso que iríamos tratar, sim, a formação de uma liga única visando apenas fortalecer e melhorar o futebol brasileiro. A gente sabe que os clubes legitimamente procuraram fazer a sua gestão e as suas conversas com as ligas. Só que a gente tem duas ligas que a gente acha que o momento certo de começar esse diálogo é agora.
Samir Xaud, presidente da CBF, em seu discurso antes da reunião, reforçou a meta de transformar a possível nova liga brasileira em uma das três mais poderosas do mundo. Ele explicou que a CBF aguardou o momento certo para iniciar o diálogo, após tomar decisões importantes. “Nós sabíamos que antes de lançar o assunto Liga, nós tínhamos que tomar a frente e tomar decisões importantes de mudança para o nosso futebol brasileiro, como o fair play financeiro, como a questão dos nossos calendários, com a modernização da arbitragem, profissionalização da arbitragem. Então, nós sabíamos que antes de iniciar essa discussão, nós tínhamos que arrumar a casa.”
O presidente da CBF ainda enfatizou que a intenção é trabalhar em conjunto na formação de uma liga forte, onde os clubes são os protagonistas e a CBF atua como mediadora e responsável pelo futebol brasileiro. “Nosso produto tem que ser fortalecido, nosso produto tem que ser levado profissionalmente, e vocês fazem parte disso. O que nós queremos é construir isso em conjunto e que a nossa Liga seja, logo, logo, uma das três principais ligas desse mundo, com um futebol mais forte, um futebol transparente, contando com a ajuda de todos.” O próximo ciclo de encontros acontecerá em maio, junho e julho, período em que a entidade planeja coletar sugestões dos clubes e desenvolver propostas de encaminhamento.
Para mim, é mais uma felicidade de estar tocando em outro assunto importantíssimo que vai dar uma sustentabilidade para o futebol brasileiro a médio e longo prazo. Então, senhores, que essa seja uma reunião de início, e que aqui nós possamos encontrar o melhor caminho para o futebol brasileiro. e contem sempre comigo e com a CBF.

