Gaeco apreende dinheiro em operação contra corrupção em quatro cidades de MS
Investigação mira agentes políticos e servidores em Mato Grosso do Sul
O Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) apreendeu pilhas de dinheiro em espécie durante a segunda fase da Operação Pretense, batizada de Mão Dupla. A ação, deflagrada nesta terça-feira, foca em suspeitas de corrupção em Coronel Sapucaia, localizada a 396 km de Campo Grande, além de outras três cidades em Mato Grosso do Sul.
As investigações apontam para crimes como fraude em processos licitatórios e contratos, peculato, corrupção passiva e pagamentos irregulares em contratos públicos. Agentes políticos, secretários e servidores são alvos da ofensiva, que resultou no cumprimento de 23 mandados de busca e apreensão. Também foram expedidos 13 mandados de medidas cautelares, incluindo proibição de acesso às dependências da administração pública de Coronel Sapucaia e de contato com outros investigados, além de monitoramento eletrônico, dois mandados de busca pessoal e dois de suspensão de função.
O nome da operação, “Mão Dupla”, faz alusão ao bordão “Você me ajuda, que eu te ajudo”, que, segundo a investigação, era frequentemente usado por um agente político em negociações para contratações públicas consideradas ilegais. Todas as determinações para as ordens judiciais foram emitidas pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS).
A operação se estende por Coronel Sapucaia, Amambai, Ponta Porã e Caarapó. Em Ponta Porã, cidade a 313 km de Campo Grande, uma residência na Rua Antônio João foi um dos endereços visados pelo Gaeco, com a presença de viaturas do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) no local.
A prefeita de Coronel Sapucaia, Niágara Kraievski (PP), manifestou-se nesta terça-feira, negando qualquer relação de sua gestão com a investigação. Ela afirmou que a apuração se refere a irregularidades ocorridas em 2024, quando outro prefeito estava à frente da administração municipal.
Esta é a segunda etapa da Operação Pretense, cuja primeira fase foi deflagrada em 18 de dezembro de 2024. Na ocasião, os mandados de busca e apreensão envolveram a prefeitura e um grupo de empresas pertencentes a um núcleo familiar de Coronel Sapucaia.
