Periferia digital é plataforma que reorganiza o trabalho de costureiras em MS
Periferia digital aparece em Mato Grosso do Sul como resultado direto do apoio financeiro e técnico do Programa Centelha, que permitiu a transformação de um coletivo de costureiras em uma plataforma online capaz de aproximar profissionais e clientes e gerar renda para mais de 170 trabalhadoras.
Ivani Marques da Costa Grance, fundadora da República das Arteiras, apresentou as dificuldades iniciais e a origem da iniciativa. “Não basta ter uma boa ideia, você tem que ter recurso. E a gente empreende a partir da periferia sul de Campo Grande, uma das que tem o maior índice de violência”
Ivani também descreveu o papel do Centelha na manutenção do projeto durante a crise sanitária e econômica. “O Centelha foi fundamental para não deixar o negócio morrer na pandemia. Eu perdi todo o chão de fábrica. Eu voltei para casa com minhas coisas debaixo do braço e uma ideia na cabeça”
A organização, criada em 2018 como coletivo, evoluiu para uma fashion tech que funciona como vitrine virtual, reunindo profissionais de diferentes especialidades. Na plataforma, o cliente localiza serviços por bairro e por técnica, entra em contato direto com a costureira e negocia prazos e valores sem intermediários, simplificando o acesso e a prestação do serviço.
Sandra Lopes, costureira integrante do coletivo, explicou como as trocas entre profissionais e as ações de formação alteraram sua rotina e ampliaram oportunidades. “Participar dos encontros realizados pela República das Arteiras permitiu que eu tivesse trocas importantes. Muitas vezes o cliente precisa de um serviço específico de costura que eu não forneço, mas minha colega sim, assim como elas me indicam também. A partir da influência da Ivani eu quis melhorar minhas técnicas, realizar novos cursos e agora ensino outras meninas e mulheres a costurar também. Nosso trabalho é solitário e invisível na maioria dos casos, por isso a conexão umas com as outras faz toda a diferença”
Além da interlocução entre clientes e profissionais, a República das Arteiras desenvolve ações de capacitação técnica e de empreendedorismo, com foco em ampliar visibilidade e fortalecer as costureiras enquanto prestadoras de serviço profissional.
O Programa Centelha anunciou a terceira edição com lançamento previsto para 27 de março, mantendo o foco em apoiar ideias nas fases de ideação e prototipação. A iniciativa é coordenada nacionalmente pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação por meio da Finep, em parceria com o CNPq, o Confap e a Fundação CERTI.
Em Mato Grosso do Sul a execução do programa cabe à Fundect, vinculada à Semadesc, com cooperação de instituições locais como Sebrae MS, Senai-Fiems, Fecomércio-Senac, Ecossistema de Inovação e o Conselho de Reitores das Instituições de Ensino Superior de Mato Grosso do Sul, que atuam no fortalecimento do ambiente de inovação e no apoio aos empreendedores.
O edital estadual prevê a seleção de até 47 propostas, com subvenção econômica de até R$ 89,6 mil por projeto e possibilidade de concessão de até R$ 50 mil em Bolsas de Fomento Tecnológico e Extensão Inovadora pelo CNPq, totalizando investimento previsto de R$ 6,5 milhões.
Podem concorrer pessoas físicas com ideias inovadoras, como inventores, pesquisadores, professores e empreendedores, além de empresas nascentes com até 12 meses de existência. Todas as propostas devem ser submetidas inicialmente por pessoa física e, em caso de seleção, será exigida a constituição de empresa com CNPJ em Mato Grosso do Sul para a liberação dos recursos.
As inscrições seguem abertas até 11 de maio de 2026 por meio do sistema Sigfundect, disponível no site da Fundect. Nas duas edições anteriores foram selecionadas 79 startups, com mais de R$ 5,9 milhões investidos a partir de 809 ideias submetidas, e para a nova chamada a meta é alcançar mil propostas inscritas.

