Fernanda Machiavelli é a nova ministra do Desenvolvimento Agrário

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva informou na noite de terça-feira, 24, durante a 3ª Conferência Nacional de Desenvolvimento Rural Sustentável e Solidário em Brasília, que a secretária-executiva do Ministério do Desenvolvimento Agrário, Fernanda Machiavelli, assumirá a pasta nos próximos dias, quando o atual ministro Paulo Teixeira deixará o cargo para disputar as eleições para deputado federal em outubro.

A substituição ocorrerá antes do prazo de desincompatibilização de cargos públicos para candidatos a cargos eletivos, que termina no dia 4 de abril, seis meses antes do pleito, conforme informado na cerimônia.

Com formação em ciências sociais pela Universidade de São Paulo com mestrado e doutorado na mesma instituição, Fernanda Machiavelli é servidora pública de carreira no posto de especialista em políticas públicas e gestão governamental e ocupa a secretaria-executiva do MDA desde o início do terceiro mandato do presidente em 2023. Machiavelli deverá permanecer no cargo pelos próximos nove meses do atual mandato.

Ao justificar a escolha e destacar a intenção de manter continuidade administrativa, o presidente ressaltou “Eu estou tomando todo o cuidado para manter no governo as pessoas que já trabalham no governo e que já conhecem a máquina, para facilitar o trabalho. Tenho certeza que a Fernanda dará conta”.

Em tom de balanço do governo na área da agricultura familiar, Lula listou programas e resultados e destacou “O Desenrola Rural tratou de renegociar dívidas de 507 mil agricultores, num total de R$ 23 bilhões. O Plano Safra deste ao já fez um milhão de operações, [com] R$ 37 bilhões contratados e ainda faltam um milhão de contratos para serem feitos até o final do ano”.

Sobre regularização de territórios e assentamentos, o presidente mencionou avanços e dados oficiais e ponderou “É desnecessário dizer o que foi feito, porque a necessidade é tanta, por mais que a gente faça, sempre faltará uma coisa a ser feita. O importante é ter em conta que a conquista da vida, da sociedade, de qualquer país do mundo, é um processo”.

Na mesma cerimônia Lula classificou como “dignificante e extraordinário” o trabalho de Paulo Teixeira à frente do MDA e elogiou a gestão do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária conduzida por César Aldrighi, conforme declarou durante o evento.

Lula dirigiu-se também às lideranças de movimentos sociais de luta pela terra e às comunidades quilombolas presentes e afirmou “Sem vocês, nós não chegaríamos aonde chegamos. Quando vocês quiserem divergir da gente, não tem problema. Nós somos a única possibilidade que vocês têm de questionar. O único presidente que vocês podem conversar, chamando ele de Lula, de companheiro, sou eu. Não tem outro presidente para vocês chamarem de companheiro”.

Ao abordar o cenário internacional e os riscos à democracia, o presidente observou “A democracia está correndo risco em vários lugares, a chamada extrema-direita tem crescido em vários lugares e o que é mais grave: os conflitos armados. Hoje, nós temos a maior quantidade de conflitos armados desde a Segunda Guerra Mundial. É conflito em quase todos os continentes”.

Tratando de soberania sobre recursos estratégicos, Lula afirmou “Eu criei um conselho especial para cuidar das terras raras e minerais críticos, da soberania nacional. Aqui nesse país quem levanta o nariz somos nós e quem cuida das nossas coisas somos nós”.

Durante a conferência o presidente também detalhou dados sobre titulação de áreas quilombolas e assentamentos no Programa Nacional de Reforma Agrária, apontando que no atual mandato foram concedidos 32 títulos, assinados 60 decretos, beneficiando 10,1 mil famílias em 271 mil hectares, e que o assentamento de beneficiários no PNRA alcançou 234 mil famílias nos últimos três anos.

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