Lideranças nacionais discutem empreendedorismo feminino e políticas públicas em MS

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Lideranças nacionais e locais debateram empreendedorismo feminino e políticas públicas durante evento do governo

O Governo de Mato Grosso do Sul promoveu o evento “Todas Diferentes, Todas Importantes: Elas Protagonistas” na tarde de segunda-feira 9 no auditório Manoel de Barros do Centro de Convenções Arquiteto Rubens Gil de Camillo em Campo Grande e trouxe ao mesmo palco referências nacionais do empreendedorismo e das políticas para mulheres.

O painel central “Mulheres que Movem a Economia e Transformam Territórios Autonomia, Empreendedorismo e Fortalecimento do PROTEGE” teve participação de Luiza Helena Trajano do Magazine Luiza e da ex-ministra das Mulheres Cida Gonçalves e concentrou o debate na geração de oportunidades e na proteção a mulheres em situação de vulnerabilidade.

O governador Eduardo Riedel ressaltou a relevância do diálogo entre lideranças e participantes do encontro,

“Não tenho dúvida de que esse bate-papo é extremamente importante para que todos nós saiamos daqui com mais informação e com opiniões mais bem embasadas sobre as nossas ações”

e afirmou que mudanças estruturais começam nas relações cotidianas e no ambiente familiar,

“A construção dessa mudança está dentro de casa, no nosso dia a dia, com a nossa família, com nossos filhos e netos. A minha geração passou por isso. Falo por mim o quanto aprendi com a Mônica e com meus filhos, especialmente com a minha filha”

além de cobrar atuação firme de gestores contra qualquer forma de discriminação ou violência,

“Quem está em cargo de comando precisa ter tolerância zero com a intolerância e absoluta repulsa a qualquer tipo de preconceito ou violência contra a mulher”

Trajetórias e mensagens de impacto

Luiza Helena Trajano expôs experiências pessoais e profissionais e reforçou compromisso com causas sociais desde a juventude,

“Eu não tenho partido político, eu tenho causas. Desde muito nova eu me envolvo com causas. Com 12 anos de idade eu já discutia temas como desigualdade social. A escravidão deixou uma marca muito profunda no Brasil e combater essas desigualdades é uma responsabilidade de toda a sociedade”

ao mesmo tempo em que valorizou a origem e a escuta como ferramentas de liderança,

“Você pode modernizar, pode evoluir, mas não pode ter vergonha do seu passado. A sua essência precisa continuar.”

“Eu tenho muita capacidade de escutar. As pessoas acham que sou muito inteligente, mas eu faço perguntas. Tudo o que aprendi eu perguntei.”

ao avaliar as transformações na gestão empresarial,

“Antigamente a gestão era totalmente mecânica. As pessoas não podiam demonstrar sentimentos, não podiam dizer que estavam doentes ou que tinham um filho no hospital. Depois isso começou a mudar e a administração passou a ser mais orgânica, mais humana.”

e defendendo a união em torno de projetos nacionais,

“Eu acredito muito na união. O mundo precisa disso. Precisamos parar de dividir e trabalhar por projetos para o Brasil. Eu sou brasileira até o fim e acredito que precisamos amar e lutar pelo nosso país.”

A secretária de Estado da Cidadania Viviane Luiza conduziu a mediação e assinalou que o objetivo do encontro foi articular práticas afirmativas e inspirar ações voltadas ao protagonismo feminino,

“Nenhuma sociedade se desenvolve plenamente quando metade da sua população ainda enfrenta mais barreiras para avançar.”

Ela relacionou autonomia econômica à liberdade e proteção das mulheres e apresentou o tema como estratégia de enfrentamento à violência,

“Quando falamos de autonomia econômica das mulheres, não falamos apenas de renda ou de empreendedorismo. Falamos de liberdade, de oportunidades e também de uma das formas mais poderosas de enfrentamento à violência contra as mulheres”

e destacou a capacidade da independência financeira de ampliar a voz e a decisão feminina,

“Quando uma mulher tem autonomia econômica, ela fortalece sua voz, amplia sua capacidade de decisão e rompe ciclos de desigualdade”

Viviane chamou atenção para a diversidade de trajetórias presentes no estado e para a necessidade de representação em espaços de poder,

“O Brasil é construído todos os dias pela força das mulheres. Mulheres que trabalham, que empreendem, que cuidam, que lideram comunidades e que, muitas vezes, mesmo diante de tantas desigualdades, seguem abrindo caminhos.São mulheres que transformam a economia, transformam suas famílias e transformam o futuro de toda a sociedade”

“Existem mulheres com histórias, realidades e desafios diferentes: mulheres das cidades e do campo, das periferias, indígenas, quilombolas, líderes e empreendedoras. Precisamos de mais mulheres na política e em todos os espaços de liderança. E precisamos que esses espaços reflitam a diversidade das mulheres brasileiras.”

Políticas, capacitação e resultados

A ex-ministra Cida Gonçalves avaliou que a igualdade depende da superação do patriarcado e do machismo e lembrou que as conquistas são fruto de luta histórica,

“Não vamos conseguir ter igualdade enquanto tivermos patriarcado e machismo. Foram séculos de luta das mulheres, do movimento de mulheres no Brasil e no mundo. Nós conquistamos muita coisa, mas nada disso aconteceu porque éramos bonitinhas ou arrumadinhas. Foi porque as mulheres lutaram”

e ressaltou a importância de ampliar a participação e de não reduzir a mobilização feminina a um combate entre sexos,

“Não podemos transformar a luta das mulheres em uma guerra dos sexos. O que queremos é conquistar espaços e ter igualdade.”

Cida ainda quantificou desafios e metas para a presença feminina na política e na administração pública,

“Não existe igualdade quando somos apenas 17% do Congresso Nacional. Não existe igualdade quando temos apenas duas governadoras no país, menos de 10% de prefeitas e quando as mulheres ganham cerca de 30% a menos que os homens, mesmo trabalhando mais. Precisamos lutar para que todos os municípios tenham secretarias ou estruturas específicas para políticas para mulheres. Isso garante que o olhar de gênero esteja presente em todas as áreas da administração pública, concluiu.”

No mesmo dia a Secretaria da Cidadania assinou um termo de intenção com Cida Gonçalves para a contratação do curso de capacitação Protege MS Fortalecimento dos Organismos de Políticas Públicas para Mulheres destinado a servidoras que atendem mulheres em situação de violência com objetivo de qualificar equipes de centros de referência, abrigos e demais estruturas de proteção.

O Protege MS é apresentado como programa estadual de prevenção e enfrentamento à violência contra as mulheres que reúne secretarias e órgãos em ações integradas com medidas educativas, de proteção, acolhimento e responsabilização de agressores e que busca ampliar serviços especializados nos municípios.

A diretora técnica do Sebrae MS Sandra Amarilha lembrou laços de trabalho com a empresária convidada e apontou o protagonismo econômico feminino no estado,

Segundo a representante do Sebrae, Mato Grosso do Sul ocupa a sétima posição nacional em empreendedorismo feminino e a atividade das empreendedoras já impulsiona cerca de 42% da economia estadual.

Dados apresentados durante o encontro indicam que as mulheres representam 50,8% da população do estado equivalente a 1.400.498 pessoas conforme Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística 2022 e que cerca de 159.921 mulheres são donas de negócio no estado o que corresponde a 42% do total de empresários segundo levantamento do Observatório da Cidadania com base em dados da Receita Federal de 2026.

O estudo aponta ainda que 171.825 empresas em Mato Grosso do Sul são comandadas por mulheres o equivalente a 44,9% do total com presença mais forte nos setores de comércio agropecuária e serviços e predominância entre empreendedoras de 35 a 39 anos.

Na política, o avanço também é registrado com 13 prefeitas no estado ante cinco em 2020 aumento de 160% e com 213 vereadoras eleitas em 2024 frente a 163 em 2020 crescimento de 30%.

O evento revisitou ações e convênios entre a Secretaria da Cidadania e o Sebrae realizados entre março de 2025 e fevereiro de 2026 como o Delas Day em março de 2025 que reuniu cerca de três mil mulheres cursos de capacitação para cidadania e autonomia feminina ações de fortalecimento do afroturismo e programas de qualificação empreendedora em 19 cidades além de iniciativas com mães de pessoas com deficiência projetos para famílias atípicas e ações voltadas ao empreendedorismo quilombola e indígena incluindo Empretec Indígena e Empretec Quilombola.

Em fevereiro de 2026 o encontro MS Empreende Mais apresentou resultados de 2025 e programas previstos para 2026 destacando convênio com o governo estadual e apoio de R$ 16,4 milhões ao programa Cidade Empreendedora.

O evento contou com lideranças especialistas dirigentes e mulheres empreendedoras e teve cobertura do governo do estado com material de imprensa e registros fotográficos disponíveis para consulta pública.

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