Telediagnóstico em dermatologia registra detecção precoce de câncer de pele em MS

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O telediagnóstico em dermatologia em Mato Grosso do Sul identificou casos de melanoma e de câncer de pele não melanoma enquanto amplia o atendimento local e reduz a necessidade de deslocamento dos pacientes. Implantado em 2019, o serviço está presente em 28 municípios e 43 pontos de atendimento e tem demonstrado capacidade de resolver cerca de 70% das demandas na Atenção Primária sem encaminhamento presencial.

Os achados por macrorregião mostraram que foram detectados casos de melanoma nas seguintes áreas Centro 5 casos em 3 municípios, Pantanal 33 casos em 2 municípios, Cone Sul 4 casos em 2 municípios e Costa Leste 13 casos em 7 municípios. Para câncer de pele não melanoma os registros apontam Centro 32 casos em 4 municípios, Pantanal 125 casos em 2 municípios, Cone Sul 42 casos em 7 municípios e Costa Leste 103 casos em 7 municípios.

O fluxo inicia na Unidade Básica de Saúde quando o clínico identifica uma lesão suspeita e solicita o exame pelo Sistema de Telemedicina e Telessaúde STT. Em seguida ocorre o registro fotográfico da lesão por profissional capacitado ou pelo próprio médico da unidade, etapa considerada determinante para a qualidade do parecer.

As imagens e as informações clínicas são encaminhadas pela plataforma e avaliadas por dermatologistas especializados. O laudo retorna à unidade solicitante com classificação de risco e conduta indicada em até 72 horas, permitindo que muitos casos sejam conduzidos na própria Atenção Primária e que apenas os pacientes que necessitam de atendimento presencial sejam encaminhados.

A superintendente de Saúde Digital da SES, Marcia Tomasi, ressalta o papel do sistema na organização do fluxo assistencial. “Além de ampliar o acesso ao especialista, o sistema estratifica o risco e prioriza quem realmente precisa de atendimento presencial. É tecnologia aplicada à gestão do cuidado, com impacto direto na eficiência da rede”

A secretária-adjunta de Saúde, Crhistinne Maymone, vê no telediagnóstico ganho em resolutividade e em qualidade de vida para os pacientes. “Estamos falando de uma ferramenta que qualifica a Atenção Primária, reduz deslocamentos desnecessários e permite que casos suspeitos de câncer sejam identificados com mais rapidez. Isso impacta diretamente no prognóstico e na qualidade de vida dos pacientes”

A coordenadora do Telessaúde da SES, Rosângela Dobbro, evidencia a importância da conformidade com os protocolos de imagem e consentimento na validação dos exames. “O exame só é validado quando segue rigorosamente os protocolos de imagem, identificação e consentimento do paciente. Investimos na capacitação das equipes porque quanto melhor o registro, mais preciso é o laudo e mais ágil é a conduta clínica”

Para que um município implante o serviço é necessário formalizar adesão ao Telessaúde e adquirir o Kit de Dermatologia composto por dermatoscópio, adaptador e equipamento de captura de imagem como smartphone ou câmera digital, obedecendo especificações técnicas mínimas. A habilitação também exige cadastro no sistema, capacitação para o registro fotográfico e o cumprimento de protocolos de segurança com termo de consentimento assinado pelo paciente antes do envio das imagens.

Casos graves e pacientes sintomáticos não devem aguardar o laudo e precisam ser encaminhados imediatamente para a rede de urgência e emergência. A oferta do serviço integra o STT e é viabilizada nacionalmente pelo Telessaúde da Universidade Federal de Santa Catarina em parceria com a Central Estadual de Telemedicina de Santa Catarina, fortalecendo a articulação entre a Atenção Primária e os serviços de média e alta complexidade.

A teledermatologia tem, portanto, atuado como instrumento para qualificar a gestão do cuidado, evitando encaminhamentos desnecessários, priorizando pacientes de maior risco e contribuindo para a detecção precoce do câncer de pele no estado.

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