Lula anuncia inovação como prioridade na parceria entre Brasil e Coreia

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Em visita a Seul, nesta segunda-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva encerrou um fórum empresarial que reuniu 230 companhias dos dois países e marcou a inovação como eixo central da agenda bilateral.

No evento, Lula colocou a extração e o processamento de minerais estratégicos no centro das negociações e relacionou esse tema à competitividade tecnológica. “A Coreia é o segundo maior produtor mundial de semicondutores e detém parcela significativa do mercado de baterias. O Brasil possui minerais críticos que são insumos essenciais para as cadeias de produção de eletrônicos e veículos elétricos e é um parceiro confiável em um cenário em que a arbitrariedade está se tornando a regra”

Como complemento às matérias-primas, o presidente defendeu a atração de investimentos que gerem cadeia de valor local e tecnologia produzida no país. “O papel de meros exportadores de matérias-primas não condiz com nosso potencial. Buscamos parcerias que nos permitam agregar valor e produzir tecnologia de ponta em solo brasileiro”

O encontro também tocou em cooperação no setor espacial, com menção à presença da start-up coreana Innospace no Centro de Lançamento de Alcântara, no Maranhão, e ao intercâmbio de dados entre agências. “crucial”

Em saúde, Lula vinculou o avanço da pesquisa sul-coreana à capacidade brasileira de produzir vacinas e insumos, citando a construção do laboratório de biossegurança Órion, ligado ao acelerador de partículas Sirius. “Isso nos permitirá buscar soluções para doenças, desenvolver métodos de diagnóstico e prevenir epidemias. Instituições públicas de saúde, como a Fiocruz e outras fundações estaduais brasileiras, estão fortalecendo sua cooperação com a Coreia”

O potencial da indústria de beleza foi outro ponto apresentado como oportunidade de cooperação industrial e comercial, com destaque para a biodiversidade brasileira e a tecnologia coreana. “O Brasil tem a maior biodiversidade do mundo. Unindo o potencial brasileiro à tecnologia coreana, podemos multiplicar nosso alcance nesse setor”

Ao tratar do setor cultural e criativo, Lula ressaltou o desempenho do segmento e sua capacidade de gerar empregos e presença internacional. “Na Coreia, a economia criativa supera as exportações de setores tradicionais como eletrodomésticos. No Brasil, o setor já responde por mais de 3% do PIB – acima da indústria automobilística – e apresenta média de geração de empregos superior à nacional”

O presidente também enumerou exemplos da difusão cultural dos dois países e lembrou a força da música e do audiovisual nacional. “Do funk brasileiro ao K-Pop, de Parasita a Agente Secreto, das telenovelas aos K-Dramas, nossa música e nossa produção audiovisual estão conquistando os quatro cantos do mundo”

Sobre comércio, Lula citou o desempenho atual das trocas entre Brasil e Coreia e a necessidade de recuperação do ritmo dos negócios. “Significa que nós já fomos melhores em negócios”

Conforme informou a delegação brasileira, a corrente de comércio entre os dois países soma cerca de US$ 11 bilhões, abaixo do pico de quase US$ 15 bilhões registrado em 2011, e a ApexBrasil apontou 280 oportunidades para produtos nacionais no mercado coreano.

Mais cedo, em visita oficial ao presidente Lee Jae-myung, os dois governos assinaram 10 atos de cooperação, tendo como peça central um acordo de cooperação comercial e integração produtiva voltado ao fortalecimento industrial, tecnológico e agrícola. “O acordo também fortalecerá cadeias de suprimentos resilientes e seguras e inova em minerais estratégicos, indústrias sustentáveis, e audiovisual. Nossos ministérios passarão a se reunir regularmente para discutir como fortalecer relações econômicas”

O presidente descreveu medidas de incentivo a investimentos e citou programas públicos que, segundo ele, abrem espaço para empresas estrangeiras no Brasil, entre eles o Programa de Aceleração de Crescimento, o Programa Nova Indústria Brasil, o Programa Mobilidade Verde e Inovação e o Plano de Transformação Ecológica.

Na pauta agropecuária, Lula afirmou que o país vem trabalhando há 15 anos para obter acesso ao mercado coreano para carne bovina e afirmou a prontidão de empresas e instituições para avançar nas exigências sanitárias. “fazer propaganda do agronegócio brasileiro” “abrir a porteira”

O presidente também recorreu a um apelo direto ao mercado consumidor. “Quando o povo da Coreia quiser ter acesso à proteína, não se preocupe que o Brasil estará pronto para atender à demanda da Coreia”

No plano diplomático, Lula reforçou a defesa do multilateralismo e criticou o uso do comércio como instrumento bélico, apontando o diálogo como caminho para soluções conjuntas. “A melhor resposta à tentativa de usar o comércio como arma é mostrar que é possível alcançar entendimentos mutuamente benéficos por meio do diálogo e da negociação”

Ao relacionar trajetórias econômicas, o presidente estabeleceu comparações históricas entre os dois países e defendeu papel ativo do Estado nas estratégias de desenvolvimento. “Nos anos 1990, enquanto o Brasil se rendeu ao receituário neoliberal, a Coreia continuou apostando no papel indutor do Estado em setores estratégicos. Nenhum país que chegou atrasado à corrida industrial conseguiu subir a escada do desenvolvimento sem políticas públicas robustas”

Em seguida, Lula destacou educação e diversidade econômica como fatores determinantes para a transformação produtiva. “A experiência coreana prova que elevar a escolaridade da população é um investimento valioso. Demonstra, além disso, que um crescimento sustentado depende de uma economia variada e sofisticada, capaz de absorver mão de obra muito qualificada”

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