Tartarugas gigantes retornam à ilha Floreana em Galápagos após um século de extinção local
Operação logística envolveu transporte manual por sete quilômetros para garantir a reintrodução de espécimes híbridos no arquipélago equatoriano
A fauna do arquipélago de Galápagos recebeu um reforço histórico nesta sexta-feira com a soltura de aproximadamente 150 tartarugas gigantes na ilha Floreana. O repovoamento ocorre mais de cem anos após o desaparecimento desses animais na região, conforme comunicado oficial do Ministério do Ambiente do Equador.
Os espécimes liberados foram desenvolvidos no centro de criação do Parque Nacional Galápagos e possuem uma genética híbrida com forte predominância da Chelonoidis niger. Essa linhagem específica tem origem na ilha Isabela e foi selecionada criteriosamente para garantir a viabilidade e adaptação da população no novo habitat.
Protocolos rigorosos de segurança biológica foram aplicados antes da transferência, incluindo um período extenso de quarentena e a implantação de microchips para monitoramento individual. A operação logística exigiu esforço físico dos guardas-florestais, que carregaram as caixas com os animais por sete quilômetros de trilhas em terreno vulcânico até o ponto de liberação.
O retorno destes répteis representa um passo fundamental na restauração ecológica de Floreana, que possui 173 quilômetros quadrados e foi a primeira ilha habitada por humanos no arquipélago. O Ministério do Meio Ambiente destaca que a ação consolida o local como uma referência global na recuperação integral de ecossistemas insulares habitados.
Galápagos é reconhecido mundialmente como um laboratório natural e serviu de inspiração para o naturalista inglês Charles Darwin fundamentar sua teoria da evolução das espécies. A região situada a mil quilômetros da costa equatoriana abriga uma biodiversidade única e detém o título de Patrimônio Natural da Humanidade.
Estudos indicam que o arquipélago já abrigou quinze espécies diferentes de tartarugas gigantes, mas a ação humana e fatores ambientais levaram à extinção de três delas ao longo dos séculos. A esperança de conservação foi renovada recentemente com a descoberta de uma fêmea de Chelonoidis phantastica na ilha Fernandina em 2019, uma espécie que também era considerada desaparecida.

