Comitê de Combate às Arboviroses anuncia implantação da Wolbachia em Corumbá
O Comitê de Combate às Arboviroses apresentou oficialmente a adoção do método Wolbachia como nova estratégia para reduzir a transmissão de dengue, zika e chikungunya em Corumbá com início das solturas previsto para outubro.
As liberações ocorrerão de forma gradual e serão realizadas uma vez por semana, pela manhã, com veículos percorrendo os bairros selecionados ao longo de um cronograma que deve durar aproximadamente 26 semanas.
Na primeira etapa estão contemplados os bairros Nossa Senhora de Fátima, Universitário, Centro América, Popular Velha, Arthur Marinho, Jardim dos Estados, Popular Nova, Aeroporto, Nova Corumbá, Maria Leite e Guarani.
A tecnologia utiliza mosquitos Aedes aegypti que carregam naturalmente a bactéria Wolbachia, que dificulta o desenvolvimento dos vírus responsáveis pelas principais arboviroses urbanas sem envolver modificação genética e sem oferecer risco à saúde humana.
Wolbachia é encontrada em várias espécies de insetos, como abelhas e libélulas, e é considerada autossustentável porque, uma vez instalada na população de mosquitos, é transmitida aos descendentes via reprodução.
Estudos realizados em outras cidades brasileiras têm demonstrado impacto significativo após a implantação do método. Em Niterói no Rio de Janeiro foi registrada redução de 89% nos casos de dengue associada à tecnologia, enquanto em Campo Grande no Mato Grosso do Sul resultados iniciais apontaram redução de 63% dos casos.
Paralelamente às solturas haverá monitoramento da presença da Wolbachia no ambiente. A etapa de coleta deve começar cerca de um mês após o início das liberações e seguirá após o término da fase de soltura por nove ciclos de coleta, utilizando ovitrampas destinadas à captura de ovos de Aedes aegypti.
O município também implantará um núcleo de eclosão onde cápsulas com ovos serão preparadas para eclodir e seguir pelo ciclo natural até a fase adulta antes do transporte dos mosquitos para os bairros escolhidos.
A implantação é apresentada pela Secretaria Municipal de Saúde como estratégia complementar às ações tradicionais de controle do vetor, mantendo a eliminação de criadouros e a prevenção da proliferação do Aedes aegypti como medidas essenciais para reduzir a transmissão de doenças.
A secretária municipal de Saúde destacou a importância da adesão da população ao projeto e a necessidade de esclarecimento sobre a tecnologia.
“Será uma estratégia muito importante para Corumbá, porque todos sabem que sofremos todos os anos principalmente com a dengue e, recentemente, tivemos muitos casos de chikungunya. O método será um novo aliado nesse combate, mas, para isso, precisamos muito da conscientização da população, de entender a tecnologia e apoiar as solturas”
A gerente de Vigilância em Saúde explicou as mudanças na abordagem de enfrentamento ao vetor e as providências tomadas pela gestão municipal para operacionalizar a ação.
“O que antes era um vetor de doença, agora passa a ser um aliado da saúde pública. Já capacitamos os agentes de endemias, porque existe uma metodologia muito robusta de monitoramento, e estamos adaptando o CCZ para receber os materiais”
O Comitê contou com participação de representantes da Unicesumar, da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, da Polícia Militar, do Corpo de Bombeiros e da Marinha do Brasil, além de profissionais que atuam nas ações de vigilância e controle das arboviroses no município.
A Secretaria Municipal de Saúde informa que as solturas serão acompanhadas de perto, com registro e análise dos materiais coletados, e reforça que a tecnologia deve atuar em conjunto com as demais medidas de prevenção e controle já em vigor.

