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Músico ainda não foi julgado por feminicídio de jornalista um ano após crime em MS

Representação simbólica da busca por justiça em caso de feminicídio com atraso judicial, um ano após o crime.

Caso de feminicídio da jornalista Vanessa Ricarte completa um ano sem julgamento definitivo, revelando desafios na tramitação judicial e a angústia de uma família que busca respostas concretas do sistema de justiça

Um ano se passou desde o brutal assassinato da jornalista Vanessa Ricarte, de 42 anos, em Campo Grande,  e o músico Caio Nascimento, acusado de feminicídio, ainda não enfrentou o júri popular. A tramitação processual, marcada por uma série de recursos e questionamentos, prolonga a dor da família e levanta debates sobre a celeridade em casos de violência contra a mulher. Informações do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) apontam que a morosidade deve-se à intensa movimentação jurídica.

Vanessa foi vítima de três facadas em sua residência, no bairro São Francisco. Poucas horas antes do crime, a jornalista havia procurado a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) para registrar uma denúncia contra seu ex-companheiro e solicitar uma medida protetiva. Dias depois do assassinato, o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) apresentou denúncia contra Caio Nascimento, apontando o crime como feminicídio.

Em 19 de março de 2025, o juiz Carlos Alberto de Almeida Garcete, da 1ª Vara do Tribunal do Júri, acatou a denúncia. O TJMS explicou que, desde então, o processo passou por “diversas etapas previstas em lei”, incluindo a apresentação de defesas, audiências e a análise de múltiplos pedidos das partes envolvidas. A grande quantidade de recursos tem sido o fator determinante para o atraso, exigindo avaliação tanto pela primeira instância quanto pelo próprio tribunal.

O juiz Carlos Alberto Garcete ressaltou que, via de regra, os processos de feminicídio recebem prioridade e têm andamento mais rápido. Contudo, ele enfatizou que o caso de Vanessa Ricarte se tornou uma exceção devido ao volume expressivo de recursos apresentados. Atualmente, o processo encontra-se na fase de instrução.

A dor da família e o clamor por justiça

Para a família de Vanessa, o luto persiste e a lentidão do processo agrava a angústia diária. O irmão da jornalista, Walker Ricarte, expressou o impacto contínuo da perda.

“Todos os dias é como se fosse o primeiro dia. Isso é uma coisa que vai ficar marcado para sempre na gente.”

Walker Ricarte descreve que a ausência de Vanessa deixou um vazio irreversível na família, alterando profundamente a rotina de todos. Ele também manifestou sua frustração com a demora na conclusão do caso.

“Está fazendo um ano que nós perdemos ela e até hoje, o caso não não teve julgamento, o criminoso ainda não foi ouvido.”

A família anseia por mais agilidade nos processos de feminicídio e por punições mais severas aos agressores, defendendo que a resposta da justiça é fundamental.

Próximos passos no processo

Uma audiência crucial está agendada para o dia 9 de março, a partir das 14h. Nesta ocasião, o juiz, a defesa e a acusação ouvirão uma vítima e também realizarão o interrogatório de Caio Nascimento. Este avanço é um passo importante para a fase final antes da decisão sobre o envio do caso a julgamento pelo Tribunal do Júri. Até o momento, porém, não há uma data definida para o veredito final do Tribunal do Júri.

O caso de Vanessa Ricarte não apenas mobilizou autoridades e entidades de defesa dos direitos das mulheres, mas também se tornou um símbolo da urgência em promover mudanças no sistema judicial. A principal expectativa da família continua sendo a condenação do réu, para que se concretize um sentimento de justiça.

“É julgar e condenar. E que a pessoa cumpra a pena dela para que a gente tenha um pouco mais de sentimento de justiça.”

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andorinha

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