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Manifestantes ocupam avenida Paulista e pedem justiça por morte de cão em Santa Catarina

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A avenida Paulista foi palco de uma manifestação na manhã deste domingo pedindo justiça por Orelha, cachorro morto após sofrer agressões na Praia Brava, em Florianópolis. O grupo se reuniu em frente ao Museu de Arte de São Paulo e ocupou cerca de duas quadras da via com gritos de ordem contra os suspeitos do crime. Os participantes classificaram o ato como hediondo e chamaram os envolvidos de assassinos e covardes.

Os manifestantes exibiram cartazes exigindo punição aos envolvidos e a redução da maioridade penal. As investigações policiais apontam adolescentes como responsáveis pelo ataque e eles respondem por atos infracionais análogos a crimes devido à idade inferior a 18 anos. A fotógrafa Dafne Teixeira levou um cartaz ao ato e defendeu a responsabilização penal dos jovens investigados. “Deveriam colocar esses moleques na cadeia, porque eles não são crianças. Crianças não fazem isso. Eles merecem”.

Muitos participantes levaram seus próprios animais de estimação para reforçar o apelo por proteção aos bichos. A maquiadora Jaciara Moura esteve presente com seus dois cães e destacou a necessidade da sociedade representar os animais. “Somos pais de pets e nos comovemos muito com essa situação, porque eles não têm voz. A gente que tem que lutar por eles”.

Investigação e defesa dos suspeitos

A Polícia Civil de Santa Catarina apura a denúncia de que um grupo de adolescentes atacou o cão a pauladas em uma das praias mais populares da ilha. O animal foi resgatado por moradores com ferimentos graves e precisou passar por eutanásia no dia seguinte ao resgate devido à gravidade das lesões. O caso gerou comoção nacional e desencadeou atos em diversas capitais como Rio de Janeiro, Brasília e Salvador neste fim de semana.

Agentes cumpriram mandados de busca na casa dos jovens e apreenderam celulares após o retorno de dois deles de uma viagem de formatura aos Estados Unidos. Três adultos ligados aos adolescentes, sendo dois pais e um tio, foram indiciados sob suspeita de coagir testemunhas durante o inquérito. Outras condutas dos suspeitos, como furtos e depredação de patrimônio, também estão sob análise das autoridades competentes.

A defesa de dois jovens divulgou nota negando a existência de imagens que comprovem o momento dos supostos maus-tratos. “Em nome das famílias que enfrentam um verdadeiro linchamento virtual pela escalada do episódio, pedimos a cautela e a responsabilidade no compartilhamento de imagens e textos que não são condizentes com a realidade dos fatos”.

Legislação e repercussão política

O ato em São Paulo foi organizado pelo projeto Cadeia para Maus-Tratos, que busca endurecer a legislação voltada à causa animal. O delegado e deputado federal Bruno Lima defende o uso da repercussão do caso para aprovar novas leis no Congresso Nacional. “Nós precisamos aproveitar esse episódio para que a gente consiga ter avanços na Câmara dos Deputados. Infelizmente, eles sempre precisam de casos marcantes como esse para que aceitem alterações nas causas animais”.

A legislação brasileira atual prevê pena de dois a cinco anos de prisão para violência contra cães e gatos. A punição pode ser aumentada de um sexto a um terço se o crime resultar na morte do animal, conforme estabelece a lei Sansão sancionada em 2020.

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