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Pablo Marçal oferece consultoria a pré-candidatos, mesmo inelegível até 2032

Mesa de trabalho com notebook e gráficos de engajamento em redes sociais, em cenário de consultoria para campanhas eleitorais.

Mesmo impedido de disputar eleições, influenciador ligado ao PRTB entra em um projeto de cursos e consultoria para pré-candidatos com foco em estratégia digital.

Declarado inelegível pela Justiça Eleitoral até 2032, Pablo Marçal (PRTB) passou a atuar no mercado de consultoria e cursos voltados a pessoas que planejam concorrer nas próximas eleições, com foco em estratégia digital e organização de campanha. As informações foram divulgadas pela CBN, e indicam que o influenciador participa da comercialização dos serviços mesmo após a condenação que o impede de disputar cargos eletivos.

A frente é apresentada como parte de uma estrutura chamada “Máquina de votos”, que tem identidade visual própria e promete atuação em “ação digital”, conforme apuração mencionada no material. O projeto tem como responsável Filipe Sabará, que integrou a coordenação da campanha de Marçal à Prefeitura de São Paulo em 2024 e, atualmente, atua na interlocução do senador Flávio Bolsonaro (PL RJ) com empresários da região da Faria Lima.

O que muda para o eleitor é que um personagem impedido de concorrer pode seguir influenciando campanhas por meio de orientação técnica, principalmente em redes sociais, onde a disputa por alcance e engajamento costuma ter impacto direto na comunicação dos candidatos. A iniciativa também sinaliza a profissionalização de pré-campanhas com treinamento e publicidade, um movimento que pode alterar a forma como mensagens chegam ao público e como candidatos estruturam suas ações antes do período eleitoral.

Conforme registros oficiais citados no conteúdo, Sabará abriu no ano passado duas empresas ligadas às áreas de publicidade e treinamento político. Uma delas é a Unipoli, abreviação de “Universidade Política”, que vende cursos online por R$ 496.

Na apresentação da plataforma, a justificativa usada para oferecer o conteúdo é que “infelizmente esse assunto não é ensinado adequadamente nas escolas e quando ministram é feito de forma ideológica”. A proposta foi apresentada ao público em novembro do ano passado em um evento em Alphaville chamado “Como destravar o Brasil”.

Embora Sabará não tenha detalhado quem contratou os serviços, ele afirmou que há interessados em disputar cargos no Legislativo e no Executivo. Esse tipo de consultoria costuma influenciar desde o formato de vídeos e postagens até a rotina de produção de conteúdo e de mobilização de apoiadores, o que pode aumentar a presença digital de candidaturas e afetar a percepção do eleitor sobre propostas e imagem dos concorrentes.

Durante a palestra de novembro, Marçal deu uma declaração registrada no evento que chamou atenção pelo conteúdo. “Deixa eu falar uma coisa, eu estou esperando ninguém fazer nada não, eu estou levantando um batalhão já faz tempo. Essa eleição agora, nós vamos tomar o parlamento inteiro. Eu vou liberar várias coisas na próxima eleição, nós vamos fazer festa no Brasil inteiro. O estado que não tiver nenhum prefeito do PT nós vamos matar, assim, umas cem cabeças de gado, fazer um terror, festa de sete dias em cada estado onde não tiver esse povo”.

A presença digital do empreendimento, no entanto, ainda aparece pequena no Instagram, onde a página tinha pouco mais de duas dezenas de seguidores no momento descrito. Entre os perfis que seguem a conta está o ex-deputado estadual Frederico D’Ávila (PL SP), ligado ao agronegócio paulista.

Procurado, D’Ávila confirmou que conversa sobre a contratação e disse que aguarda uma proposta formal. Ele tentou se eleger deputado federal há quatro anos, após desgaste na Assembleia Legislativa por ofensas ao Papa Francisco, mas não se elegeu.

Também aparecem entre os seguidores perfis associados ao PP de São Paulo. O presidente estadual do partido, deputado federal Maurício Neves, não esclareceu se mantém vínculo com a iniciativa.

A entrada de Marçal nesse tipo de atividade ocorre após sua candidatura à Prefeitura de São Paulo em 2024, quando terminou em terceiro lugar por margem estreita de votos. Ao longo daquele período, ele acusou o deputado federal Guilherme Boulos (PSOL) de uso de cocaína sem apresentar provas, e o caso chegou às vésperas do primeiro turno com a divulgação de um laudo falso, de acordo com o relato disponível.

O material também relata que Marçal se envolveu em confusões em debates, teve um assessor acusado de agredir o marqueteiro do então candidato Ricardo Nunes (MDB) e foi atingido por uma cadeirada desferida por José Luiz Datena (PSDB). Em meio à campanha, ele declarou que precisou “agir como um idiota” para ganhar visibilidade em uma disputa na qual tinha menos recursos financeiros que os adversários, representando o PRTB.

Depois da eleição, Marçal foi condenado em primeira e segunda instâncias à inelegibilidade até 2032 por causa dos chamados “campeonatos de cortes” promovidos no Discord durante a pré-campanha. A prática descrita envolvia compartilhamento massivo de vídeos por contas anônimas, com promessa de ganhos financeiros, para impulsionar a viralização.

Marçal informou que pretende recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral, o TSE, instância que pode analisar recursos em decisões da Justiça Eleitoral. Enquanto isso, a atuação dele na consultoria se apoia em um formato no qual ele não aparece como sócio administrador das empresas citadas, apesar de a assessoria ter confirmado que ele participa ativamente da comercialização dos serviços.

Além de Marçal e Sabará, o conteúdo informa que aparecem como professores dos cursos Rodrigo Kherlakian, que se apresenta nas redes sociais como empreendedor e filósofo estoico, e Daniel Gonzales, empresário que divulga técnicas de neurociência na educação e administra uma página de extrema direita no Twitter. Ainda assim, apenas Sabará figura como sócio administrador das empresas, conforme o que foi descrito.

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andorinha Pablo Marçal consultoria para pré-candidatos

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