Flávio Bolsonaro exige saída de Moraes do STF e evita explicar repasses milionários de Vorcaro
O senador Flávio Bolsonaro cobrou publicamente a saída de Alexandre de Moraes do Supremo Tribunal Federal nesta semana, horas depois da divulgação de mensagens que mostrariam o banqueiro Daniel Vorcaro tratando o ministro como advogado particular. Ao ser questionado sobre os próprios valores recebidos do mesmo banqueiro, porém, o senador não apresentou nenhum esclarecimento.
Um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras, o Coaf, aponta uma transferência de US$ 1,66 milhão para Flávio Bolsonaro em setembro de 2025. O repasse teria sido feito depois de o senador cobrar parcelas que estavam atrasadas, segundo reportagem assinada pelo jornalista Breno Pires e publicada pela revista piauí.
O valor identificado pelo Coaf contradiz uma declaração anterior do próprio senador. Flávio havia afirmado que o último pagamento recebido de Vorcaro teria ocorrido em maio de 2025, meses antes da movimentação financeira registrada pelo conselho.
Mensagens atribuídas a Vorcaro reforçam a suspeita de que os repasses continuaram além do que foi declarado. Em outubro de 2025, ao ser cobrado sobre novos pagamentos, o banqueiro teria respondido “Liberei mais uma hoje”.
Os valores estão ligados ao financiamento de Dark Horse, filme sobre Jair Bolsonaro. O acordo mencionado na reportagem prevê o pagamento total de US$ 24 milhões ao senador, montante que ultrapassa R$ 130 milhões na conversão aproximada.
Repasse milionário segue sem explicação pública
Vorcaro está no centro das investigações que envolvem o Banco Master e as operações financeiras que se tornaram alvo das autoridades nos últimos meses. Por isso, a origem, o valor e o destino dos recursos recebidos por um senador que pretende disputar a Presidência da República se tornam questões de interesse público direto.
Há também investigação em curso sobre a possibilidade de parte dos recursos ligados a Vorcaro ter sido destinada a Eduardo Bolsonaro durante o período em que ele permaneceu nos Estados Unidos. Essa hipótese ainda não foi confirmada pelas apurações e não deve ser tratada como fato consumado.
Enquanto isso, o contraste entre as duas cobranças chama atenção. Flávio Bolsonaro exige que Alexandre de Moraes explique sua relação com Daniel Vorcaro, mas não detalha a própria relação financeira com o mesmo banqueiro.
A diferença entre os valores é o centro da controvérsia. De um lado está a declaração do senador sobre o último pagamento recebido em maio. De outro, o registro do Coaf sobre a transferência de setembro, as mensagens que indicam novos repasses em outubro e o total de US$ 24 milhões previstos no acordo do filme.
Para um pré-candidato à Presidência da República, a movimentação financeira deixou de ser um detalhe secundário. Os valores são altos, o financiador está no centro de uma crise bancária de grande repercussão e existem registros que, segundo a reportagem da Piauí, contradizem a versão apresentada anteriormente pelo próprio senador.
Flávio Bolsonaro cobrou transparência de Alexandre de Moraes sobre a relação com Daniel Vorcaro. Resta ao senador explicar, com a mesma clareza exigida do ministro, quanto recebeu do banqueiro, quando recebeu e qual foi o destino dos recursos ligados ao filme sobre seu pai.
