Detran acaba com baliza obrigatória no exame prático de direção e muda sistema de pontos
A etapa de estacionamento entre balizas deixará de ser exigida para tirar a carteira de motorista em Mato Grosso do Sul conforme nova portaria publicada pelo departamento de trânsito.
Quem planeja tirar a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) em Mato Grosso do Sul vai encontrar um exame prático diferente a partir de 26 de janeiro de 2026. A principal alteração é o fim da obrigatoriedade da baliza, manobra considerada a maior causa de reprovação entre os candidatos. A avaliação passará a ocorrer exclusivamente em percurso nas vias públicas.
As novas diretrizes constam na Portaria Detran-MS “N” nº 202. O objetivo é alinhar os procedimentos estaduais ao Manual Brasileiro de Exames de Direção Veicular, previsto pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran). Até a implementação total, cada departamento estadual define suas normas, mas as mudanças locais já têm data para começar.
Candidato poderá perder mais pontos
O sistema de aprovação também sofreu alterações significativas para facilitar a vida do futuro motorista. Atualmente, o limite máximo é de três pontos negativos; quem atinge o quarto ponto é reprovado. Com a nova regra, o candidato começa com nota zero e pode acumular até 10 pontos de infração durante o trajeto sem ser eliminado.
A classificação das faltas segue o Código de Trânsito Brasileiro (CTB), com pesos diferentes para cada erro cometido ao volante:
- Leve: 1 ponto;
- Média: 2 pontos;
- Grave: 4 pontos;
- Gravíssima: 6 pontos.
A banca examinadora será composta por três servidores do Detran. O resultado final, incluindo a lista de erros cometidos, ficará disponível para consulta no portal de serviços do órgão em até 24 horas após a realização da prova.
O que será cobrado no percurso de carro
Sem a baliza, o foco total do exame para a categoria B (automóveis) será o desempenho no trânsito real. A prova terá duração mínima de 10 minutos e exigirá que o aluno demonstre controle do veículo em situações cotidianas. O trajeto obrigatório deverá incluir:
- Seis conversões à esquerda;
- Seis conversões à direita;
- Três estacionamentos laterais (encostar junto ao meio-fio);
- Percurso em linha reta de pelo menos mil metros para avaliar troca de marchas;
- Dois retornos, utilizando canteiro central quando houver.
Os exames continuarão sendo aplicados em vias públicas, urbanas ou rurais. Em cidades como Campo Grande, onde há mais de um local autorizado, a definição do bairro ocorrerá por sorteio. Veículos com comando duplo continuam exigidos, mas critérios para uso de carros particulares estão em definição.
Regras específicas para motos
Para quem busca a categoria A, os critérios de eliminação envolvem o equilíbrio e o uso correto dos equipamentos de segurança. Perder o controle da moto, derrubar cones ou colocar os pés no chão com o veículo em movimento continuam sendo falhas que podem custar a aprovação.
O circuito para motocicletas deve conter manobras padronizadas, como zigue-zague, curvas em “L”, rotatória em “8” e rampa. O candidato deve iniciar a prova com o capacete devidamente ajustado e com a viseira (ou óculos de proteção) abaixada.
O índice de aprovação atual para motos é de 61,7%, enquanto para carros é de apenas 49,6%, número impactado principalmente pela dificuldade dos alunos na etapa da baliza.
