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O tribunal do machismo: Quando a política ignora as leis para julgar a mulher

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Diz a regra não escrita do tribunal das redes sociais que, para um homem público, o sucesso é um acessório natural. Se um senador desfila em um restaurante de luxo em Paris ou Orlando, a crítica, quando vem, é política: discute-se o gasto, a ideologia, talvez o tom de voz.

O homem de terno, ao lado de empresários poderosos, é visto como alguém “fazendo política”. É o lobby, é o trânsito, é o poder em seu estado bruto e, para muitos, admirável.

Mas mude o gênero da personagem e o roteiro ganha contornos de inquisição.

O Luxo que é Crime, mas só para Elas

O episódio recente envolvendo a senadora Soraya Thronicke em uma loja de grife nos Estados Unidos é o retrato sem filtro do machismo que ainda dita o compasso da opinião pública brasileira. O que incomoda não é o fato em si — uma mulher bem-sucedida, empresária e advogada de carreira, usufruindo de suas férias — mas o fato de ela não ter pedido licença para estar ali.

Quando um homem político é visto com um empresário, ele está “articulando”. Quando é Soraya, ela está “sob suspeita”. Para ele, o relógio caro é símbolo de status; para ela, a bolsa de grife é um desvio de caráter. É a “política das insinuações”, onde o batom e o destino de viagem pesam mais do que R$ 150 milhões em emendas ou projetos de lei que endurecem o combate ao feminicídio.

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O machismo estrutural opera assim: ele ignora o currículo para focar no cenário. Ele silencia sobre os 16 mil atendimentos de uma caravana de saúde para gritar sobre dois minutos de um vídeo de celular. É uma tentativa clara de domesticar a autonomia. O subtexto das críticas é quase infantil, mas perverso: “Como ela ousa ter sucesso, ser independente e ainda circular onde os ‘donos do poder’ circulam?”

Enquanto os homens na política são julgados pelo que entregam (ou deixam de entregar), as mulheres são julgadas pelo que parecem ser. O escrutínio sobre o comportamento, as amizades e o consumo de uma parlamentar serve como uma cortina de fumaça para não se discutir o óbvio: a competência incomoda.

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No fim das contas, a indignação seletiva diz muito pouco sobre a ética pública e muito sobre o desconforto de uma sociedade que ainda não aceitou que o lugar da mulher é onde ela quiser  inclusive no topo, sem precisar dar explicações sobre como gasta suas férias ou com quem divide o café. A mentira e o julgamento moral podem correr rápido, mas o trabalho, esse sim, é o único que não aceita edições de vídeo.

Seguindo essa linha, podemos aprofundar a crônica conectando o contraste entre a “política do espetáculo” e a “política do impacto real”.

É curioso e sintomático, como o brilho de uma vitrine em Orlando consiga, para alguns, ofuscar o texto frio e urgente do Diário Oficial. Enquanto o tribunal digital se ocupa em analisar frames de um vídeo de férias, gavetas em Brasília guardam soluções para problemas que sangram o Brasil real todos os dias. Se o centro das atenções fosse o trabalho, e não o acessório, o debate seria outro.

Deveríamos estar discutindo, por exemplo, o PL 2.083/2022. Em um país onde a medida protetiva muitas vezes é apenas um pedaço de papel que não detém a fúria do agressor, a proposta de Soraya de endurecer as punições para quem as descumpre é um divisor de águas entre a vida e a morte. Mas a urgência de salvar mulheres parece menos “clicável” do que a fofoca de corredor.

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O mesmo vale para a criminalização da misoginia. Quando a senadora atua para que o ódio contra as mulheres seja reconhecido como um crime de ódio, ela está tentando atacar a raiz de todos esses julgamentos morais que sofre. É um ciclo irônico: ela é atacada por ser mulher, enquanto trabalha em leis para que nenhuma outra seja atacada pelo mesmo motivo.

Há uma eficiência silenciosa que o ruído das redes sociais não consegue captar. Falar sobre os R$ 150 milhões destinados à saúde, educação e infraestrutura de Mato Grosso do Sul exige esforço intelectual, exige checar dados e entender a ponta do serviço público. É muito mais fácil apontar o dedo para uma amizade do que entender como a Caravana da Castração com seus mais de 16 mil atendimentos — impacta diretamente a vigilância sanitária e o controle de zoonoses de um estado inteiro.

O que está em jogo aqui é uma escolha de narrativa. Podemos escolher o escrutínio da bolsa de grife ou o escrutínio do PL 1.814/2021, que quer levar defesa pessoal para mulheres em cidades acima de 50 mil habitantes. Um é entretenimento vazio; o outro é política pública que muda a vida de quem mais precisa.

No fim, o trabalho consistente deixa marcas que o tempo não edita. A senadora Soraya parece ter entendido que, na política das aparências, a melhor resposta não é o contra-ataque verbal, mas o peso do resultado. Afinal, as emendas chegam, os projetos avançam e as vidas são protegidas, mesmo que o algoritmo insista em preferir o brilho fugaz de uma vitrine de Orlando ao brilho duradouro de uma lei que salva vidas.

📌 Fatos que Importam: O Impacto do Mandato

Enquanto as redes discutem imagens, estes são os números e projetos que transformam a realidade de Mato Grosso do Sul e do Brasil.

Descubra como o machismo estrutural ainda julga mulheres na política e ignora resultados que impactam vidas no Brasil. Veja os fatos e projetos reais.

🛡️ Defesa da Mulher e Segurança

  • PL 2.083/2022: Proposta que endurece a punição para quem descumpre medidas protetivas. O objetivo é garantir que a lei seja uma barreira real contra o agressor.
  • PL 1.814/2021: Previsão de cursos de defesa pessoal para mulheres em cidades com mais de 50 mil habitantes, focando na autonomia e prevenção.
  • Criminalização da Misoginia: Atuação decisiva como relatora para que o ódio de gênero seja reconhecido legalmente como crime de ódio.

🏥 Saúde e Causa Animal

  • Caravana da Castração: Um investimento de R$ 5 milhões que já resultou em mais de 16.500 atendimentos em apenas seis meses. Uma política pública inédita que une saúde pública e bem-estar animal.

💰 Gestão e Resultados (2025)

  • R$ 150 Milhões em Emendas: Recursos destinados a todos os 79 municípios de MS, aplicados diretamente em:
    • Saúde: Compra de equipamentos e custeio de hospitais.
    • Infraestrutura: Obras de pavimentação e saneamento.
    • Educação e Cultura: Fortalecimento da identidade regional e base escolar.
  • Prospera MS: Programa de incentivo à agricultura familiar, gerando renda e fixando o homem e a mulher no campo com dignidade.
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