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Mato Grosso do Sul teve papel fundamental no acolhimento de refugiados da Venezuela

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Mato Grosso do Sul teve papel fundamental no fluxo de migrantes venezuelanos antes da intervenção militar internacional na Venezuela que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro.

O estado já possui uma comunidade consolidada de mais de 11 mil residentes dessa nacionalidade, que desde 2024 ultrapassou os paraguaios e se tornou o maior grupo estrangeiro em território sul-mato-grossense.

Em Campo Grande, onde vivem mais de 4 mil venezuelanos, a prefeitura já ativou no passado seu Plano Municipal de Apoio aos Migrantes e Refugiados, instituído em 2024. A medida, integra serviços de saúde e educação e coloca o Centro de Apoio aos Migrantes (Cedami) em estado de alerta para expandir a capacidade de acolhimento emergencial, com foco especial em famílias que cheguem em situação de extrema vulnerabilidade.

No interior, Dourados se destaca como um polo de empregabilidade. A cidade desenvolveu um modelo eficiente de absorção de mão de obra, principalmente na agroindústria e em frigoríficos. Através de parcerias com o setor privado, muitos imigrantes são contratados antes mesmo de chegarem ao estado, garantindo autonomia financeira imediata e aliviando a pressão sobre os abrigos públicos.

Monitoramento em Corumbá e rotas pela Bolívia

A estrutura estadual é coordenada pelo Comitê para Atendimento de Refugiados, Migrantes e Apátridas (CERMA), que articula os municípios com o Governo Federal. O órgão monitora as rotas migratórias que, além da entrada oficial por Roraima, incluem agora a fronteira oeste com a Bolívia, em Corumbá. O governo estadual já solicitou aportes federais extras para garantir atendimento sanitário e documentação rápida aos novos entrantes.

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Corumbá é uma das portas de entrada de refugiados venezuelanos

O papel de Dourados e Campo grande

Enquanto Campo Grande foca na assistência social e abrigo através do Cedami, Dourados consolidou-se como o motor de empregabilidade para venezuelanos no estado. A agroindústria local é, hoje, a maior responsável pela “interiorização” bem-sucedida de famílias que saem de Roraima em busca de autonomia financeira no Centro-Oeste.

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Como imigrantes podem acessar serviços e regularizar a documentação em MS

Imigrantes e refugiados podem buscar orientação no Cedami em Campo Grande ou nas secretarias municipais de Assistência Social. Para a solicitação de visto de refúgio ou residência, é necessário procurar a Polícia Federal. Diversas organizações, como a ONU Migração (OIM), oferecem suporte gratuito para tradução de documentos, revalidação de diplomas e orientação jurídica no estado.

O processo de interiorização dessas famílias é gerido nacionalmente pela Operação Acolhida, que organiza a triagem em Roraima antes do encaminhamento para outros estados. No entanto, a burocracia ainda é um desafio. Estima-se que mais de 150 mil venezuelanos em todo o Brasil aguardam a conclusão de seus processos de visto, vivendo sob protocolos provisórios que geram incerteza jurídica.

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Depois de deixar a Venezuela em busca de uma vida digna para sua esposa e filhas, Gregori e sua família encontrou em Mato Grosso do Sul não apenas um lar, mas também uma oportunidade de recomeçar

O Brasil consolidou-se como um destino estratégico, abrigando cerca de 600 mil cidadãos venezuelanos. O estado de São Paulo lidera em números absolutos, mas MS figura entre a 10ª e a 12ª posição nacional. A crise geopolítica se desenrolou nas primeiras horas deste sábado (3), com uma ofensiva militar dos Estados Unidos em Caracas, confirmada pela Casa Branca, mergulhando a Venezuela em um vácuo de poder e instabilidade.

O Governo Federal anunciou a ampliação do orçamento da Operação Acolhida para 2026. O objetivo é evitar um colapso humanitário na fronteira norte e garantir uma distribuição ordenada dos refugiados pelo interior do país, incluindo Mato Grosso do Sul. A previsão é de que o fluxo nas próximas semanas supere qualquer marca registrada desde o início da crise venezuelana.

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