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“Se tiver filho meu metido, será investigado”, afirma Lula após operação da PF no INSS

Lula defende tolerância zero após operação da PF no INSS, afirmando que não há proteção a envolvidos, incluindo ministros e familiares.

Em reação à nova fase da Operação Sem Desconto, deflagrada pela Polícia Federal na manhã desta quinta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) adotou um discurso de tolerância zero e garantiu que não haverá proteção política ou familiar para os envolvidos nas fraudes do INSS.

Ao comentar as ações que atingiram o alto escalão do governo, o mandatário enfatizou que a lei será aplicada a todos, citando nominalmente seus ministros mais próximos e até sua própria família como exemplos hipotéticos.

“Quem tiver envolvido vai ser investigado. Se tiver filho meu metido nisso, ele será investigado. Se tivesse meu pai, que já morreu… Se tiver o [ministro da Fazenda, Fernando] Haddad, vai ser investigado, [ou] o Rui Costa [ministro da Casa Civil], com essa seriedade, vai ser investigado”, declarou Lula em entrevista à imprensa.

Alvos no governo e no Congresso

A operação policial abalou as estruturas do Ministério da Previdência ao prender o número 2 da pasta, o secretário-executivo Adroaldo Portal. No cargo desde maio, Portal era remanescente da gestão de Carlos Lupi (PDT) e havia ingressado no ministério em fevereiro de 2023 como secretário do Regime Geral.

As investigações apontam que ele teria recebido em seu gabinete o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS“.

Além do executivo, a PF cumpriu mandados de busca e apreensão contra o senador Weverton Rocha (PDT-MA), atual vice-líder do governo. A conexão entre os alvos é direta: antes de assumir o posto no ministério, Adroaldo Portal atuou como assessor parlamentar de Rocha.

O objetivo da ação é aprofundar as provas sobre crimes de inserção de dados falsos em sistemas oficiais, constituição de organização criminosa, estelionato previdenciário e ocultação patrimonial.

Citação a “Lulinha” e defesa do governo

A menção enfática de Lula ao “filho” não foi aleatória. Reportagem do site Poder360 revelou que Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, teria sido citado em depoimento à PF pelo empresário Edson Claro, ligado ao lobista “Careca do INSS”.

A informação foi compartilhada com a CPMI que apura as fraudes. Embora o nome de Fábio não conste entre os alvos da operação deflagrada hoje, a citação trouxe o tema para o centro do debate político.

Apesar de alegar desconhecimento sobre a identidade específica dos alvos no momento da entrevista, afirmando ter participado de reuniões durante a manhã, Lula endossou o trabalho da Polícia Federal. O presidente tentou blindar a imagem da gestão, argumentando que as descobertas são fruto do rigor do atual governo.

“O que eu posso dizer para você é que, naquilo que depender da Presidência da República, tudo será feito para que a gente dê uma lição a esse país. Nós fizemos a maior operação já feita na história desse país contra o crime organizado, contra as facções criminosas. E vamos continuar fazendo”, concluiu.

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andorinha inss

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