Raio-x portátil amplia triagem e é usado na vigilância da tuberculose em MS

A Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso do Sul intensificou o diagnóstico precoce e a vigilância da tuberculose ao ampliar o uso do raio-x portátil diretamente dentro de unidades prisionais, estratégia que acelera a identificação de casos sem necessidade de deslocamento dos internos.

As ações recentes apontaram que o Instituto Penal de Campo Grande e o Instituto Penal Jair Ferreira de Carvalho, conhecido como Máxima, concentram as maiores incidências da doença no Estado, somando cerca de 4.500 pessoas privadas de liberdade, e os casos detectados já estão sendo acompanhados pelas equipes de saúde das próprias unidades.

Em Campo Grande, o Centro de Triagem Anísio Lima recebeu em outubro uma ação integrada voltada à triagem geral, com oferta de testes rápidos para hepatites B e C, HIV e sífilis, consultas médicas e odontológicas, vacinação e registro em prontuário eletrônico, enquanto o raio-x portátil segue como ferramenta central para avaliações posteriores focadas na tuberculose.

O equipamento cabe em uma mala e funciona de forma semelhante a uma câmera fotográfica, tornando possível realizar radiografias dentro de celas, solários e corredores, com a chapa posicionada de um lado da grade e o aparelho do outro, o que já permitiu a realização de até 150 radiografias em um único dia.

Com a prática em campo, a SES constatou que o dispositivo reduz a necessidade de grandes deslocamentos e de mobilizar equipes extensas, além de tornar o fluxo de triagem mais rápido e mais seguro para internos e trabalhadores do sistema prisional.

A coleta de escarro é realizada em todos os internos avaliados e as amostras são encaminhadas ao LACEN e à UFMS para análise por um teste de alta sensibilidade, capaz de detectar a tuberculose mesmo antes do surgimento dos sintomas e com resultados em duas a quatro horas.

O trabalho de enfrentamento da tuberculose nas prisões está vinculado ao projeto Tuberculose nas Prisões, coordenado pelos pesquisadores Mariana Croda e Júlio Croda, da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, com cooperação contínua com a SES há mais de dez anos e com colaboração da Fiocruz/MS.

O projeto começou em Dourados com triagens em massa e, após obtenção de financiamentos, ampliou-se para outras unidades do Estado; em 2017 foi criada uma unidade móvel de diagnóstico que estendeu o alcance das ações.

Desde 2023 o estudo acompanha longitudinalmente internos mesmo após mudanças de regime, como progressão para o semiaberto ou retorno à comunidade, com o objetivo de mapear quando a doença se manifesta e como evolui.

A pesquisadora responsável pelo projeto contextualiza o risco elevado entre a população prisional e o histórico das pesquisas que embasam as estratégias adotadas.

“As prisões concentram a população mais vulnerável à tuberculose no mundo. Nossas evidências mostram que o risco de contrair a doença nesses ambientes pode ser mais de 30 vezes maior do que em outros grupos considerados vulneráveis”

A gerente de Saúde do Sistema Prisional da SES detalhou o impacto da tecnologia sobre a capacidade de vigilância e resposta dentro das unidades e sobre a proteção coletiva.

“A ferramenta ampliou nossa capacidade de monitorar, intervir e garantir diagnóstico precoce. Quanto mais rápido identificamos um caso, mais eficiente é o tratamento e maior é a proteção para toda a população privada de liberdade e para os trabalhadores do sistema prisional”

As triagens realizadas pela SES e pelos pesquisadores continuam em diversas unidades do Estado, como Gameleiras, Patronato e complexo do Noroeste, e o monitoramento envolve tanto internos já incluídos na pesquisa quanto novos ingressantes, com acompanhamento e tratamento quando necessário.

As ações integradas e a modernização do fluxo diagnóstico com o raio-x portátil e testes rápidos compõem a estratégia do programa Mais Saúde Prisional em Foco, que busca ampliar cobertura e velocidade na detecção e no início do tratamento dentro do sistema prisional.

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