Bioparque acolhe cobras resgatadas de circo e as transforma em educadoras ambientais
Resgatadas de um circo em Amambai, serpentes agora atuam no Bioparque Pantanal como símbolos da preservação da fauna.
Capitu e Rachel, duas serpentes que viviam como atrações de um circo, foram resgatadas há três anos e hoje desempenham um novo papel no Bioparque Pantanal. Elas participam de ações educativas que mostram a importância dos animais silvestres para o equilíbrio ambiental, longe dos picadeiros.
O caso teve início quando uma apresentação do circo, que estava em temporada em Amambai, gerou revolta na população. Um palhaço, vestido apenas com cueca, fez uma performance considerada imprópria para o público, que incluía crianças e adolescentes. A Polícia Civil foi acionada, e a Polícia Militar Ambiental (PMA) acabou descobrindo as cobras no local. A píton era usada em números, aparecendo enrolada no pescoço de um palhaço e de espectadores que pagavam para participar. Como a lei proíbe a utilização de animais em espetáculos circenses, o dono do circo foi multado em R$ 47.380 e teve os animais apreendidos.
Além da multa, o empresário, que morava em Vila Velha (ES), foi autuado por dois crimes ambientais. Ele foi acusado de introduzir no Brasil, sem autorização, uma espécie exótica, a píton, e de manter uma jiboia em cativeiro ilegalmente. A pena para esses crimes varia de seis meses a um ano de detenção. Na época, o proprietário do circo afirmou à PMA que havia recebido as serpentes de um amigo, também dono de circo, três anos antes, no Espírito Santo.
Como as cobras não poderiam voltar à natureza, já que perderam a capacidade de se defender e dependem de cuidados humanos, foram levadas para o Bioparque Pantanal. Lá, elas ganharam novos nomes e uma rotina diferente. Capitu, nome escolhido por votação nas redes sociais, tem cerca de 2,5 metros de comprimento. Rachel Carson, em homenagem à cientista norte-americana autora de “Primavera Silenciosa”, mede 2 metros e é considerada a embaixadora da conscientização ambiental do local.
Animais viram ferramentas de educação ambiental
A dupla agora integra as atividades de educação e conscientização do Bioparque. Elas são apresentadas aos visitantes como exemplos da necessidade de preservar a fauna e combater o tráfico de animais silvestres. A equipe do parque, formada por diferentes profissionais, garante o bem-estar das serpentes com acompanhamento contínuo, passeios pelo atrativo e exames periódicos.
Um dos momentos marcantes foi a troca de pele de Capitu, registrada em janeiro. O processo, que chamou a atenção do público, é um sinal de que a cobra está saudável e adaptada ao novo ambiente.


