Justiça libera investigado na Operação Ifrit para responder em liberdade com tornozeleira

Fahd Haidar poderá responder em liberdade à investigação da Operação Ifrit, mas terá de cumprir medidas cautelares determinadas pela Justiça. A decisão de quinta-feira (5) estabelece recolhimento domiciliar das 22h às 5h30, inclusive nos fins de semana e feriados, além de comparecimento periódico em juízo.

O investigado deverá se apresentar à Justiça a cada dois meses para informar suas atividades, manter o endereço atualizado e comunicar previamente mudanças de residência ou ausências superiores a oito dias. Também precisará comparecer aos atos do inquérito e de eventual ação penal para os quais for convocado.

O juiz homologou a prisão em flagrante, mas entendeu que não cabia decretar a prisão preventiva naquele procedimento. A expedição do alvará de soltura não afasta eventuais mandados de prisão emitidos em outros processos. O descumprimento das condições impostas poderá levar à decretação da prisão preventiva.

Fahd é filho de Nasser Haidar, apontado pela Polícia Federal como um dos integrantes da cúpula de uma organização criminosa de base familiar investigada por tráfico internacional de drogas e armas, lavagem de dinheiro e corrupção de policiais. Segundo a investigação, o grupo teria movimentado pelo menos R$ 500 milhões.

Um dos pontos analisados pela PF é a empresa Pecuária e Hípica C.H.F.H., registrada em nome de Fahd em 2019, quando ele completou 18 anos. O empreendimento ocupa uma área de aproximadamente 30 hectares nos arredores de Ponta Porã. Documentos judiciais apontam que a empresa declarou ausência de receitas e atividades entre 2020 e 2023, embora os investigadores tenham identificado movimentações financeiras, empregados e aquisição de veículos.

Entre os registros financeiros estão 90 depósitos em dinheiro nas contas de Fahd, que somaram R$ 302,3 mil. A investigação também identificou que Nasser pagou 22 boletos relacionados à compra de uma BMW X6, em valores que totalizaram R$ 323,1 mil entre julho de 2022 e maio de 2024. Dois imóveis comerciais registrados em nome do investigado foram avaliados em aproximadamente R$ 674 mil.

A PF também relaciona Fahd a uma ocorrência em março de 2024, em Pedro Juan Caballero, no Paraguai, quando ele foi detido com outros brasileiros após disparos contra uma residência. Os investigadores apontam esses registros como indícios de ligação com o núcleo armado da organização.

Deflagrada em 4 de novembro, a Operação Ifrit cumpriu 76 mandados de busca e apreensão, 25 de prisão preventiva e um de prisão temporária. A ação também incluiu medidas de monitoramento eletrônico e o afastamento de três policiais civis. A defesa de Fahd informou que analisa as acusações e afirmou confiar que a inocência do investigado será demonstrada no processo.

As informações são do Campo Grande News

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