Após água barrenta e barcaça afundada, fiscalização apura impactos da mineração em Corumbá
Equipes do Ibama foram ao Rio Paraguai nesta segunda-feira (2) para avaliar possíveis impactos ambientais do afundamento de uma barcaça carregada de minério no Terminal Privativo Gregório Curvo, em Corumbá. O Imasul também acompanha a ocorrência e prepara análises da água em diferentes pontos do rio. A atuação dos órgãos ocorre depois de dois episódios registrados em poucos dias envolvendo estruturas e operações ligadas à LHG Mining.
O primeiro caso aconteceu na quinta-feira (29), quando moradores da comunidade tradicional Antônio Maria Coelho denunciaram que água barrenta e avermelhada saiu das torneiras durante a manhã. Dois dias depois, no sábado (31), uma barcaça afundou durante operação no terminal portuário utilizado para o escoamento de minério pela Hidrovia do Paraguai.
No Rio Paraguai, a avaliação ambiental ficará a cargo do Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul. O órgão informou que acompanha a situação com monitoramento e análises da qualidade da água, após ter sido comunicado pela empresa responsável.
“A equipe técnica acompanha a situação no Rio Paraguai, com monitoramento e análises da qualidade da água. O Instituto foi comunicado pela empresa responsável e, desde então, alinhou as providências necessárias, cujos encaminhamentos estão sendo acompanhados”, informou o Imasul.
As análises previstas incluem coletas de amostras e medições de características físicas da água, além de exames laboratoriais para verificar a presença de metais. Os pontos de monitoramento abrangem a área próxima ao afundamento, trechos antes e depois do local e uma área de controle, permitindo comparar as condições da água.
Fiscalização vai verificar minério na água e possíveis danos
O Ibama informou que enviou técnicos ao local nesta segunda-feira e apontou preocupação com a possível dispersão de partículas minerais na água e o acúmulo de minério no leito do rio. Segundo o órgão federal, esses processos podem elevar a turbidez, alterar a qualidade da água e afetar organismos aquáticos.
A avaliação técnica deverá identificar a quantidade e a composição do minério que eventualmente tenha sido liberado. Também estão entre os pontos de análise a presença de sólidos suspensos, o nível de oxigênio dissolvido, a concentração de metais, a deposição de sedimentos e possíveis efeitos sobre a fauna aquática.
O Ibama ainda indicou a necessidade de verificar se houve vazamento de combustíveis ou lubrificantes da embarcação e acompanhar os trabalhos de retirada da carga e recuperação da barcaça. A presença de minério, por si só, não confirma contaminação química, mas o órgão considera necessárias análises da água e dos sedimentos para avaliar possíveis alterações.
A embarcação afundou no Terminal Privativo Gregório Curvo, na região de Porto Esperança. No momento do incidente, a água nas proximidades ficou avermelhada. Não houve registro de feridos.
A Marinha abriu um Inquérito Administrativo sobre Acidentes e Fatos da Navegação para apurar as circunstâncias do afundamento, as causas e eventuais responsabilidades. Até o momento, não há conclusão oficial sobre o que provocou o acidente.
A LHG Mining afirmou que a barcaça pertencia a um armador parceiro e informou que apura as causas do incidente em colaboração com as autoridades. Em nova manifestação, a empresa declarou que o monitoramento ambiental não identificou alterações na qualidade da água relacionadas ao episódio. Também afirmou que a embarcação transportava exclusivamente minério de ferro e não levava combustíveis, lubrificantes ou outros produtos químicos.
A empresa disse ainda que a mudança na coloração da água foi temporária e ocorreu em um trecho de forte vazão do rio.
Água barrenta também levou prefeitura a fazer vistoria
Antes do afundamento da barcaça, moradores de Antônio Maria Coelho haviam denunciado a chegada de água barrenta às residências. Os relatos foram acompanhados por registros que mostravam líquido avermelhado e turvo saindo das torneiras. A comunidade atribuiu o problema à movimentação de caminhões e às atividades da mineradora na região.

A Fundação de Meio Ambiente de Corumbá realizou vistorias na comunidade no dia da ocorrência e também no dia seguinte. A presidente do órgão, Cristina Fleming, informou que a equipe preparava um laudo de constatação e acompanhava as análises da água utilizada pelos moradores.
A LHG relacionou o episódio às chuvas recentes e ao escoamento de água das estradas. A empresa afirmou que prestava assistência à comunidade após os transtornos provocados pelo fluxo de água.
O prefeito Gabriel Alves de Oliveira, o Dr. Gabriel, afirmou que a administração municipal avalia aplicar multa à mineradora caso o laudo confirme danos às comunidades afetadas.
“Os técnicos da Fundação de Meio Ambiente de Corumbá vão produzir um laudo sobre os impactos e, se houver essa comprovação, vamos tomar as providências necessárias”, disse.
As reclamações dos moradores também envolvem lama, poeira, tráfego intenso de veículos pesados e alterações em cursos d’água. Segundo o prefeito, os problemas nas estradas e na região de Antônio Maria Coelho são denunciados há mais de um ano e já motivaram ações judiciais.
Em Porto Esperança, a prefeitura apontou a circulação diária de mais de 300 carretas entre as minas e o porto. O fluxo ocorre próximo às casas de moradores ribeirinhos e de uma escola municipal, onde a administração relatou barulho frequente dos veículos e condições de estrada com lama e pó de minério.
