Mancha de minério se espalha pelo Rio Paraguai após afundamento de barcaça em Corumbá

Uma mancha avermelhada se espalhou pelo Rio Paraguai após o afundamento da barcaça carregada com minério no Porto Gregório Curvo, em Corumbá. Imagens registradas depois do acidente deste sábado (31) mostram o material avançando pela água nas proximidades do terminal operado pela LHG Mining. A carga que estava na embarcação atingiu diretamente o ambiente aquático, em uma área do Pantanal utilizada por pescadores e comunidades ribeirinhas.

A dispersão do minério ocorre poucos dias depois de moradores da comunidade tradicional Antônio Maria Coelho denunciarem a chegada de lama avermelhada à nascente utilizada no abastecimento das famílias. Na quinta-feira (29), a água chegou às casas com coloração alterada e partículas de sedimentos, deixando os moradores sem condições de utilizá-la para consumo e outras necessidades domésticas.

Segundo os relatos da comunidade, a lama atingiu o córrego Piraputanga depois de uma intervenção em uma estrada de acesso à área de mineração. A LHG atribuiu o problema ao escoamento de água das estradas durante as fortes chuvas e informou que prestava assistência aos moradores.

Na ocorrência deste sábado, o minério saiu da embarcação durante o afundamento e se espalhou pelo rio, conforme mostram as imagens. A quantidade de material dispersado e a extensão da área atingida ainda não foram divulgadas.

O acidente aconteceu durante o carregamento no terminal da LHG. Funcionários que estavam na barcaça pularam no rio, e a Marinha abriu inquérito administrativo para apurar as circunstâncias do afundamento. A investigação sobre as causas do acidente é distinta da avaliação dos efeitos ambientais provocados pela dispersão da carga.

Em poucos dias, dois episódios envolvendo material de mineração atingiram recursos hídricos de Corumbá. Primeiro, a lama chegou à nascente utilizada pelas famílias de Antônio Maria Coelho. Depois, a carga de uma barcaça afundada se espalhou pelo Rio Paraguai. As ocorrências envolvem locais e operações diferentes, mas ambas estão relacionadas ao aumento das atividades extrativistas anunciadas pela LHG Mining na região.

A ocorrência se soma à reclamação dos moradores de Antônio Maria Coelho, que enfrentam problemas com o abastecimento depois da chegada de lama à fonte utilizada pela comunidade.

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