PF prende presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso em operação

Sérgio Ricardo, presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso — Foto: Reprodução

O presidente do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT), Sérgio Ricardo de Almeida, e o procurador da instituição, Grhegory Paiva Pires, foram presos nesta quinta-feira (29) durante a Operação Tomada de Contas, deflagrada pela Polícia Federal para investigar suspeitas de irregularidades em contratos públicos e pagamentos dentro do órgão.

A operação mobilizou mais de 180 policiais federais em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e São Paulo. Ao todo, foram cumpridos seis mandados de prisão preventiva e 26 de busca e apreensão, autorizados pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).

A Polícia Federal apura um possível esquema de desvio de recursos públicos que envolveria a suspensão de pagamentos de contratos considerados legítimos. Segundo os investigadores, a medida seria usada para manter dinheiro destinado a empresas de publicidade, favorecendo a saída irregular de recursos.

A participação específica de Sérgio Ricardo e Grhegory Paiva Pires nas supostas irregularidades não havia sido detalhada até a divulgação das informações sobre a operação.

As apurações também identificaram movimentações financeiras consideradas suspeitas. De acordo com a PF, o presidente do TCE-MT teria realizado saques de R$ 500 mil, enquanto um dos investigados movimentou R$ 33 milhões em um período de apenas um ano.

Os policiais investigam a possível relação entre depósitos bancários e retiradas frequentes de dinheiro em espécie realizadas nas dependências do Tribunal de Contas. A análise busca esclarecer a origem dos valores, o destino dos recursos e uma eventual ligação com os contratos e pagamentos sob suspeita.

Além das prisões e das buscas, a Justiça autorizou medidas para acessar informações protegidas por sigilo e bloquear bens que possam estar relacionados às irregularidades investigadas.

A Operação Tomada de Contas busca reunir provas sobre as movimentações financeiras e esclarecer como os recursos públicos teriam sido utilizados. As suspeitas ainda dependem do avanço das investigações e da análise dos materiais apreendidos.

Os fatos investigados podem configurar, em tese, crimes contra a Administração Pública, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Dinheiro, relógios e carros são apreendidos

A Polícia Federal apreendeu dinheiro, relógios e veículos durante o cumprimento dos mandados de busca e apreensão realizada nesta quinta-feira (29). Os endereços onde foram feitos os registros não foram divulgados pela PF.

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