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Cemtec aponta trimestre de calor intenso e chuvas irregulares sob efeito de El Niño muito forte em MS

Brasil deve enfrentar até seis ondas de calor até dezembro, aponta Cemaden

Sob a influência de um fenômeno El Niño com previsão de atingir a categoria muito forte, Mato Grosso do Sul enfrentará um trimestre marcado por calor intenso, temperaturas acima da média histórica e pancadas de chuva mal distribuídas entre os meses de novembro e janeiro.

Embora o prognóstico do Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima (Cemtec) indique acumulados de precipitação superiores aos volumes habituais para o período, a água não cairá de forma homogênea, abrindo espaço tanto para janelas de estiagem em determinadas localidades quanto para tempestades severas de curta duração, acompanhadas de raios, vendavais e queda de granizo provocados pelo forte aquecimento diurno.

De acordo com a meteorologista e coordenadora do Cemtec, Valesca Fernandes, a projeção de chuvas acima do padrão histórico não significa que todas as regiões sul-mato-grossenses receberão volumes parecidos, uma vez que o território estadual registra variações temporais e espaciais nas condições atmosféricas, sobretudo no comportamento das precipitações.

Apesar do alerta para o calor, o cenário traçado para a virada do ano difere do quadro crítico vivido entre 2023 e 2024. Naquela ocasião, a atuação de um El Niño de forte intensidade combinou altas temperaturas com um déficit severo de chuvas em Mato Grosso do Sul, secando a vegetação e impulsionando o avanço de grandes incêndios florestais. Desta vez, a tendência aponta para o calor persistente aliado a volumes globais de chuva mais elevados, ainda que intercalados por períodos secos entre diferentes municípios.

Para preparar a rede pública diante do impacto de eventos climáticos extremos como ondas de calor, secas, queimadas e temporais, a Secretaria de Estado de Saúde (SES) já capacitou 675 trabalhadores da área em todo o Estado. Iniciado em agosto, o cronograma de treinamentos percorreu as nove microrregiões de saúde levando protocolos de emergência, orientações de manejo clínico e diagnósticos sobre a estrutura de atendimento de cada prefeitura.

Segundo o coordenador do Centro de Informação e Assistência Toxicológica da SES, Karyston Adriel da Costa, a qualificação é fundamental para que as equipes identifiquem precocemente os riscos ligados ao clima e apliquem a conduta correta em cada ocorrência.

A estratégia estadual também incorporou Porto Murtinho ao plano de resposta rápida devido ao papel estratégico do município no corredor da Rota Bioceânica, reunindo mais de 25 servidores locais em oficinas realizadas nos dias 20 e 21 de outubro.

Antes disso, em 31 de agosto, o foco na proteção de grupos vulneráveis levou o treinamento a 51 integrantes do Distrito Sanitário Especial Indígena. No balanço geral dos polos regionais, Bonito liderou as formações com 101 profissionais qualificados, seguido por Coxim, com 77, e Campo Grande, com 76 participantes, em uma lista de cidades atendidas que abrange ainda Dourados, Corumbá, Três Lagoas, Ponta Porã, Nova Andradina e Chapadão do Sul.

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