Anulação de 16,8 mil votos leva TRE a refazer cálculo das vagas na Alems
Os 16.884 votos recebidos por Jerson Domingos, do União Brasil, serão retirados da totalização da eleição para deputado estadual em Mato Grosso do Sul. Com a anulação determinada após decisão do Tribunal Superior Eleitoral, o TRE-MS marcou para 21 de outubro o reprocessamento dos resultados proporcionais do primeiro turno.
Marcada para ocorrer no plenário da Corte Eleitoral, a nova totalização refará os cálculos usados para distribuir as 24 cadeiras da Assembleia Legislativa e organizar a relação de suplentes. O edital expedido pelo tribunal prevê que o procedimento poderá produzir alterações nesses resultados.
Jerson terminou a eleição de 4 de outubro com 16.884 votos, equivalente a 1,19% dos válidos, e aparecia como segundo suplente da Federação União Progressista, formada por União Brasil e PP. Na lista da federação, Marcelo Miranda, do PP, ficou na primeira suplência com 23.112 votos, enquanto Dione Hashioka, do União, recebeu 15.244.
Com a retirada da candidatura de Jerson da relação, Dione avança na lista de suplentes. Já a definição sobre eventual reflexo na distribuição das cadeiras depende do reprocessamento oficial que será realizado pelo TRE-MS.
TSE reverteu decisão tomada em Mato Grosso do Sul
Antes da eleição, o próprio TRE-MS havia autorizado por maioria o registro de Jerson. A Procuradoria Regional Eleitoral recorreu ao TSE, e os sete ministros que participaram do julgamento votaram pelo indeferimento da candidatura.
O recurso apresentado pela Procuradoria citou processos relacionados à Operação Omertà nos quais Jerson aparece como réu. Em uma das ações, ele responde à acusação de embaraçar investigação de organização criminosa; em outra, ligada à Operação Armagedon, as acusações envolvem organização criminosa armada e tráfico de armas.
Segundo a denúncia mencionada no processo eleitoral, Jerson teria ocupado uma posição de confiança dentro do grupo investigado e atuado na solução de conflitos relacionados à organização. O Ministério Público também atribuiu a ele participação em articulações envolvendo um plano contra agentes públicos ligados às investigações da Omertà.
Essas acusações tramitam na esfera criminal e foram usadas pela Procuradoria no pedido para impedir o registro eleitoral. Em 2024, processos relacionados a Jerson foram remetidos ao Superior Tribunal de Justiça em razão da prerrogativa de foro vinculada ao período em que ocupava cargo de conselheiro do Tribunal de Contas.
Durante o julgamento do registro no TRE-MS, a defesa sustentou que as acusações não demonstravam participação concreta de Jerson em organização criminosa nem justificavam a aplicação das restrições eleitorais. O advogado Alexandre Ávalo também argumentou que fatos atribuídos a terceiros não poderiam ser transferidos automaticamente ao candidato.
Mesmo com esse entendimento acolhido inicialmente pela Justiça Eleitoral de Mato Grosso do Sul, o recurso da Procuradoria levou o caso ao TSE e terminou com o indeferimento unânime do registro.
A nova totalização de 21 de outubro será feita já sem os votos de Jerson e produzirá o resultado oficial atualizado da disputa proporcional em Mato Grosso do Sul.
