Restauração recria onça-pintada e muda expressão de mural da UFMS em Corumbá

A onça-pintada ganhou uma nova representação durante a restauração dos murais do Campus do Pantanal da UFMS, em Corumbá. Mantido como um dos símbolos da obra, o animal deixou a posição discreta da pintura feita há 23 anos e passou a ocupar o primeiro plano, de frente para o público.

A mudança faz parte da nova etapa do trabalho conduzido pelo artista plástico Vinícius Ibanhez. Diferentemente da substituição da arara pelo dourado, realizada em outro trecho do conjunto, a espécie representada não mudou. A transformação ocorreu na postura, enquadramento e expressão da onça.

Na pintura original, segundo Ibanhez, o animal aparecia mais distante, sentado, de lado e com a boca fechada. A nova versão aproxima a onça de quem observa o mural e amplia sua presença na composição, com o rosto voltado para frente e a boca aberta.

Apesar da mudança visual, o artista afirma que a proposta não foi criar uma imagem agressiva. A intenção foi reproduzir um movimento natural da espécie e destacar características associadas à onça-pintada no Pantanal, como força, imponência e beleza.

A reformulação também registra uma mudança no próprio trabalho de Ibanhez. O artista considera que a comparação entre as duas versões permite observar a evolução das técnicas utilizadas desde a criação dos murais, há mais de duas décadas.

“Quando produziu a primeira onça, o recurso visual escolhido colocou o animal em posição secundária dentro da pintura. Agora, a restauração permitiu reinterpretar o mesmo elemento sem retirar sua função original na obra.”, destacou.

A figura permanece ligada à fauna pantaneira, mas passa a ter participação muito mais evidente na fachada.

Obra ganha novas leituras durante restauração

A mudança da onça segue a linha adotada em outras partes dos murais durante a recuperação. Em etapa anterior, Ibanhez decidiu substituir a arara pelo dourado para incluir um elemento ligado diretamente à água e reorganizar a representação de fogo, terra, ar e água dentro do conjunto.

No caso da onça-pintada, a intervenção não corrige a escolha do animal. O trabalho modifica a forma como ele é apresentado e estabelece uma diferença visual marcante entre a obra produzida originalmente e a versão que permanecerá no Campus do Pantanal após a restauração.

Para Ibanhez, essa transformação também incorpora à própria fachada a passagem do tempo e o amadurecimento artístico ocorrido nos últimos 23 anos. A onça que antes permanecia ao fundo agora encara diretamente o público e assume uma das posições de maior destaque entre os elementos ligados à fauna do Pantanal.

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