Família relata agressões antes de mulher vítima de feminicídio planejar mudança para Santa Catarina
Vítima era mãe de dois filhos e planejava novo início fora de Mato Grosso do Sul.
O caso de Adrieli Rossoni dos Santos, de 34 anos, encontrada sem vida no sábado em Campo Grande, levou ao 25º registro de feminicídio em Mato Grosso do Sul neste ano. A vítima estava em fase de preparativos para uma mudança para Santa Catarina, onde pretendia recomeçar ao lado do filho mais velho. Segundo relatos de familiares, ela havia encerrado o relacionamento com Aparecido de Sousa Doirado, de 46 anos, preso em flagrante após o crime. O casal, conforme a família, viveu uma relação de constantes separações e reconciliações marcada por episódios de violência física.
Adrieli se organizava para deixar a capital com o filho mais novo, enquanto mantinha contato frequente com o primogênito que mora com o pai, em Santa Catarina. Parentes afirmam que ela já estava com a mudança agendada e com uma casa alugada no novo estado.
A prima da vítima, Caliane Kisel, contou que a família notou mudanças recentes na disposição de Adrieli, que demonstrava entusiasmo pelos planos para a nova fase. Caliane lembrou mensagens trocadas dias antes da morte em que a vítima expressava felicidade pela proximidade da mudança.
Rompimentos, ameaças e investigações
Em depoimento à reportagem, Caliane relatou que a prima decidiu se afastar do ex-companheiro após sucessivos episódios de agressão e pressão para não mudar de cidade. Familiares afirmam que, em outras ocasiões, mesmo após tentativas de sair do estado, Aparecido teria pressionado para que ela voltasse e mantivesse a relação. Por volta das 6h da manhã de sábado, imagens de câmeras de segurança mostram Aparecido deixando o imóvel de Adrieli com o filho de 3 anos do casal, o que contrasta com a mensagem que ele enviou à mãe da vítima dizendo que ela estaria internada em um hospital.
O comportamento levantou alerta para parentes que começaram a procurá-la por hospitais antes que a mãe, desconfiada, entrasse na residência usando uma escada e encontrasse o corpo da filha na sala, imóvel trancado e sem respostas pelo telefone.
As primeiras informações que chegaram à investigação sinalizavam indícios de asfixia e marcas compatíveis com esganadura, aguardando confirmação oficial da perícia. Segundo a Polícia Civil, detalhes sobre motivação e dinâmica do crime permanecem sob sigilo para preservar os trabalhos investigativos. O menino de 3 anos foi encontrado em segurança e está sob acompanhamento psicológico. A família manifestou preocupação com a possibilidade de a criança ter presenciado o ocorrido, hipótese ainda não confirmada pelas autoridades.
O velório de Adrieli foi realizado no domingo no Cemitério Jardim das Palmeiras, com a presença de poucos familiares e pessoas próximas. Parentes lamentaram o desfecho justamente quando ela se mostrava animada com o novo ciclo e condenaram o histórico de violência no relacionamento. Para Caliane, o fim da vida de Adrieli interrompe um momento de esperança de recomeço, após meses tentando manter distância do ex-companheiro.
De acordo com informações de familiares, Adrieli era formada em Farmácia e era descrita como uma mãe dedicada aos dois filhos, ambos autistas. Os parentes afirmaram que não aprovavam a convivência entre ela e o suspeito, por considerarem prejudicial à vítima. A mãe e o irmão de Adrieli prestaram depoimento na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher, que não divulgou detalhes sobre a investigação.
Caso seja necessário denunciar situações de violência contra mulheres ou crianças, é possível recorrer à Central 180, serviço disponível todos os dias, a qualquer hora, de forma gratuita e anônima. Em situações emergenciais também é possível acionar as autoridades pelo número 190.
As informações são do Campo Grande News


