DNIT inicia remoção de baceiros que isolam comunidade no Pantanal
O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) iniciou na segunda-feira (10) a retirada dos baceiros que bloqueiam o canal navegável que liga a comunidade da Baía do Castelo, no Pantanal, a Corumbá, distante 100 km. As famílias ribeirinhas voltaram a ficar isoladas na última sexta-feira (7), quando o acúmulo de vegetação aquática fechou a única via fluvial da região. Apesar do começo dos trabalhos, não há previsão de quando a navegação será totalmente liberada.
Sem o acesso fluvial, a rotina da comunidade está comprometida. As famílias enfrentam dificuldades para buscar atendimento médico e garantir o transporte escolar das crianças e adolescentes. A rota terrestre alternativa, que chegou a ser aberta em março de 2026 como estrada improvisada de 8 km, acabou inundada com a subida recente das águas. Assim, com a via de terra alagada e o canal tomado pelos baceiros, os moradores ficaram completamente ilhados.
Obstrução recorrente e pedido por solução definitiva
O bloqueio do canal, que tem 1,2 km de extensão, é um fenômeno recorrente no Pantanal durante o período de cheias. A obstrução acontece pela concentração de camalotes (aguapés), gramíneas e raízes, que formam ilhas densas capazes de trancar os trechos mais estreitos do curso d’água. De acordo com o produtor rural Oséias Araújo, morador da comunidade, a boca da baía está assoreada e estreita, com menos de 100 metros, o que impede a passagem de ilhas de baceiro que chegam a ter até 200 metros de largura.
Mesmo com o início da remoção da vegetação flutuante, Oséias ressalta a necessidade de uma solução definitiva. A dragagem para alargar a entrada da baía é vista como a única forma de evitar novos bloqueios quando o nível do rio voltar a baixar. O DNIT, por sua vez, informou que os trabalhos de desobstrução começaram, mas não detalhou prazos para a conclusão ou para a liberação completa do canal.

