Narcoraficante boliviano Piña morreu em confronto com a polícia em Mato Grosso do Sul
Foragido da Justiça boliviana, José Mariano Paz Chávez, o ‘Piña’, morreu nesta sexta-feira em troca de tiros com o BOPE em São Gabriel do Oeste, após passar uma semana escondido em mata fechada.
José Mariano Paz Chávez, conhecido como ‘Piña’, foi abatido junto com outros três homens em um confronto com agentes do Batalhão de Operações Especiais (BOPE) da Polícia Militar brasileira. O grupo estava foragido há sete dias e foi localizado às margens do rio Coxim, em Mato Grosso do Sul. A ação encerra uma caçada que começou após a emboscada que matou o tenente boliviano Yerson Salazar e outras quatro pessoas em San Matías, na fronteira com o Brasil, em 31 de julho.
De acordo com a Polícia Militar, os suspeitos haviam entrado no Brasil em uma avião interceptada por caças da Força Aérea Brasileira (FAB). O piloto não obedeceu às ordens de pouso e acabou descendo numa zona rural de São Gabriel do Oeste. Quando as equipes chegaram ao local, os ocupantes já tinham fugido para a mata. Durante uma semana, eles usaram o terreno para se esconder, sobrevivendo no mato até serem encontrados.
Para as autoridades bolivianas, a violência em San Matías está ligada à disputa entre o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) pelo controle de rotas do tráfico. A morte de ‘Piña’ levanta questões sobre a rede que permitiu a um homem com passagens por sequestro e suspeita de encomendar assassinatos chegar ao centro de um novo conflito.
Antecedentes de ‘Piña’ incluem sequestro e assassinato de advogado
A relação de Paz Chávez com o crime não é recente. Em 2017, ele foi preso e levado para a cadeia de Palmasola por envolvimento no sequestro e tortura do advogado Lorgio Saucedo, que teria ficado cerca de duas semanas em cativeiro por uma suposta dívida de 60 mil dólares. Na época, a vítima sofreu agressões e fraturou a mão e o braço. Apesar da prisão preventiva, não houve condenação divulgada.
Anos depois, em 2 de setembro de 2025, Saucedo foi assassinado a tiros após ser sequestrado novamente. A investigação apontou que Yerko Junior Iriarte Montaño seria o executor, e que teria confessado ter agido por ordem de ‘Piña’. A defesa de Iriarte negou a confissão e disse que o vídeo do crime chegou ao seu celular por um grupo de WhatsApp. Mensagens encontradas no aparelho de Iriarte revelaram contato com um usuário identificado como ‘Rey del Sur’, que seria o traficante uruguaio Sebastián Marset. Essa conexão ligou ‘Piña’ à rede de tráfico internacional.
Além disso, investigações na região de Beni apontavam ‘Piña’ como líder de um esquema de tráfico de cocaína por aviões, com base em Santa Ana de Yacuma. Vídeos obtidos mostravam movimentações de aeronaves e pessoas carregando pacotes suspeitos. Esse histórico se encaixa com a fuga para o Brasil, já que o grupo foi interceptado logo após cruzar a fronteira em uma aeronave.
A morte de ‘Piña’ encerra, ao menos temporariamente, uma das linhas de investigação sobre os ataques em San Matías, mas também deixa em aberto o alcance da organização criminosa que ele integrava, que usava avionetas, sicários e conexões internacionais para operar na fronteira.

