Sanesul fecha contrato de R$ 1,3 milhão sem licitação para estruturar tratamento de lixo em sete cidades
A Sanesul contratou por R$ 1,346 milhão, sem licitação, a Fundação Carlos Alberto Vanzolini para ajudar a estruturar o tratamento de resíduos sólidos em sete municípios de Mato Grosso do Sul. É o segundo contrato da estatal com a consultoria paulista nesse setor. No ano passado, a mesma fundação recebeu R$ 2,7 milhões para estudos ligados à gestão de aterros sanitários.
O novo serviço está ligado à entrada da Sanesul em uma área que até então não fazia parte de sua principal atuação. Desde 25 de agosto, a empresa passou a responder pelo tratamento do lixo de Bonito, Caracol, Guia Lopes da Laguna, Jardim, Miranda, Nioaque e Porto Murtinho, enquanto a coleta continua sob responsabilidade das prefeituras.
Nesse modelo, os resíduos recolhidos nas sete cidades são encaminhados para tratamento em Caracol. A intenção é manter a Sanesul nessa atividade pelos próximos 30 anos, ampliando a atuação da estatal para além do abastecimento de água e do esgotamento sanitário.
A mudança também chegará ao bolso dos moradores. Os convênios firmados com os municípios preveem que, a partir do próximo ano, a taxa de lixo seja cobrada junto das contas de água e esgoto emitidas pela Sanesul.
Sindicato questiona forma adotada para o serviço
Presidente do Sindágua, Lázaro de Godoy questiona o repasse da atividade à estatal por meio de convênios com as prefeituras. Na avaliação do sindicalista, a legislação federal exige licitação quando esse tipo de serviço público é delegado a terceiros.
Godoy afirma que os trabalhadores não são contra a entrada da Sanesul no tratamento de resíduos, já que a nova atividade pode aumentar a receita da empresa. A preocupação do sindicato está na possibilidade de o serviço ser estruturado com dinheiro público e, depois, acabar transferido à iniciativa privada.
Antes desse contrato de R$ 1,346 milhão, a Fundação Vanzolini já havia sido contratada pela Sanesul em julho de 2025 para estudar a viabilidade técnica e financeira da gestão, operação e manutenção de aterros sanitários. O trabalho, de R$ 2,7 milhões e também firmado sem licitação, envolvia Corumbá, Ladário e municípios ligados ao Cidema, além da capacitação de funcionários da estatal.
Os sete municípios incluídos no novo contrato também fazem parte do Cidema, consórcio formado por 14 cidades das regiões oeste e sudoeste de Mato Grosso do Sul.
