Oito pessoas acusam filho de pastores de golpe de R$ 1 milhão em investimentos
Relatos apontam promessa de retorno de 5% ao mês, pagamentos iniciais e alegação de recursos bloqueados pela XP, que nega vínculo com o jovem
Nathan Durizi Silva Rodrigues, de 25 anos, é acusado por ao menos oito pessoas ou núcleos familiares de receber dinheiro para supostos investimentos e deixar de devolver cerca de R$ 1 milhão em Campo Grande. A Polícia Civil apura as denúncias, enquanto ações de cobrança tramitam na Justiça, mas ainda não há decisão criminal definitiva que reconheça a prática de estelionato.
Parentes, amigos e integrantes de uma comunidade cristã relatam que Nathan oferecia retorno próximo de 5% ao mês, apresentava planilhas sobre a suposta evolução dos valores e, em alguns casos, fazia os primeiros pagamentos. Após a interrupção dos repasses, ele teria alegado que o dinheiro estava retido pela XP Investimentos e citado notificações, advogados e reuniões em São Paulo, sem que os clientes recebessem os recursos.
A soma considera apenas valores documentados ou relatados diretamente por oito pessoas e não inclui os rendimentos prometidos nem aportes atribuídos a outros clientes. A apuração reuniu comprovantes bancários, contratos, notas promissórias, confissões de dívida, boletins de ocorrência, mensagens e áudios, além de processos envolvendo Nathan e a N D S R Consultoria Empresarial Ltda., associada à Durizi Investimentos.
A pensionista Ivone Bagagi Joaquim afirma ter entregado R$ 150 mil entre outubro e novembro de 2024, incluindo R$ 120 mil em dinheiro e um Citroën C3 avaliado em R$ 30 mil. O resgate estava previsto para maio de 2025, mas Nathan teria alegado bloqueio dos recursos e assinado promissórias que, com juros e encargos incluídos nas atualizações, elevaram o débito reconhecido para aproximadamente R$ 440 mil.
Dois tios também aparecem entre os credores e afirmam que a confiança foi reforçada pela relação familiar e pelas referências dos pais de Nathan, que são pastores. Uma tia relata ter aplicado R$ 300 mil e recebido pagamentos por alguns meses, enquanto outro tio declara ter entregue R$ 305 mil, parte ligada a uma casa, um carro de R$ 65 mil e um empréstimo bancário de R$ 40 mil.
Prejuízos alcançam amigos e integrantes da igreja
Fernanda Reis apresentou comprovante de uma transferência de R$ 110 mil para uma conta pessoal de Nathan no Sicredi, feita em novembro de 2023, e afirma que recebeu rendimentos durante seis meses. Ela registrou boletim de ocorrência após não recuperar o capital e relata ter confiado no jovem por recomendação de pessoas da igreja, onde ele participava da liderança de adolescentes.
Um amigo de infância e a esposa estimam perda de aproximadamente R$ 80 mil e afirmam que contrataram empréstimo e venderam o carro após orientação de Nathan. Outra mulher informou à polícia ter transferido R$ 16 mil em 2024, mediante promessa de retorno fixo de 5% ao mês, e declarou que não recebeu rendimento nem a devolução do capital.
Em uma ação cível, Marson Sontag da Silva Junior pede a restituição de R$ 26 mil entregues à empresa associada à Durizi Investimentos, além de indenização. A Justiça autorizou uma busca de ativos por meio do Sisbajud, mas foram encontrados R$ 5.907,61, enquanto outro processo cobra uma promissória de R$ 24 mil cujo valor atualizado alcançou R$ 43.900,60 em julho de 2026.
Nathan também aparece como réu em uma ação de despejo referente a um apartamento com aluguel mensal de R$ 3 mil, além de cobranças de condomínio, IPTU e garantia contratual. O imóvel foi devolvido após liminar de desocupação, e a dívida civil indicada no processo chegou a aproximadamente R$ 34,7 mil, sem decisão final sobre todas as alegações.
A Durizi Investimentos informou que rejeita qualquer conduta ilícita, considera os boletins de ocorrência registros unilaterais e sustenta que as acusações serão tratadas pelos meios legais, sem comentar casos específicos. A empresa não esclareceu a destinação do dinheiro, a alegação de bloqueio nem a relação com a XP.
A XP informou que Nathan não é e nunca foi assessor de investimentos da companhia ou de empresas parceiras e apontou a possibilidade de golpe ao negar essa ligação profissional. As denúncias permanecem sob apuração da Polícia Civil, e os processos cíveis relacionados às dívidas e obrigações atribuídas a Nathan e à empresa seguem em tramitação.

